Pressionada pela arrancada nos preços dos alimentos no varejo, a inflação percebida pelas famílias de baixa renda em outubro deste ano foi a maior, para um mês de outubro, em seis anos. A informação partiu do economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas) André Braz ao comentar a evolução do IPC-C1 (Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1), que mensura o impacto dos preços em famílias com renda até 2,5 salários mínimos mensais, e subiu 0,8% no mês passado, na maior taxa em seis meses. Somente os alimentos responderam por 86% da inflação da baixa renda em outubro. “Se excluíssemos os alimentos do cálculo do indicador, o IPC-C1 teria subido 0,18%, apenas”, afirmou.
“Com o cenário que temos, o IPC-C1 pode fechar o ano acima de 6%”, acrescentou o especialista. Ele comentou que, caso isso se confirme, a inflação da baixa renda em 2010 deve se posicionar acima da percebida por famílias mais abastadas, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-BR), que apura os preços sentidos por famílias com renda entre 1 e 33 salários mínimos mensais.
Para o técnico, os preços dos alimentos este ano devem subir mais do que subiram no ano passado. Isso deve contribuir para elevar o resultado do indicador até o final do ano. Braz comentou que, em novembro e dezembro do ano passado, o IPC-C1 subiu res‑ pectivamente 0,23% e 0,16%. “A probabilidade de termos um novembro e um dezembro este ano com taxas deste indicador em igual magnitude é muito pequena”, afirmou.
Preços voláteis
Braz lembrou que 40% do total do orçamento das famílias pesquisadas pelo IPC-C1 é destinado à compras com alimentos – enquanto, no âmbito do IPC-BR, este percentual é de 28%. Ou seja: as elevações de preços dentro do setor de alimentação são mais sentidas pelas famílias de menor poder aquisitivo. “O problema é que, além dos produtos in natura, cujas elevações de preços podem desaparecer no próximo mês, por serem voláteis, também estão subindo de preço alimentos industrializados, cujos aumentos são mais persistentes e também de difícil substituição pelas famílias mais pobres”, resumiu o técnico.
Entre os exemplos citados por economista de aumentos persistentes estão as taxas de inflação mais elevadas, de setembro para outubro, em feijão carioca (de 4,99% para 16,11%); pão francês (de 1,58% para 2,08%); e carne bovina (de 4,80% para 3,25%). “Estes três produtos também apresentaram o aumento mais intenso de preços, para um mês de outubro, dos últimos seis anos”, acrescentou.
Outros itens que também estão pesando no bolso do consumidor mais pobre são as elevações mais fortes ou fim de deflação em frango inteiro (de 3,39% para 6,16%); açúcar refinado (de 0,53% para 5,53%); e hortaliças e legumes (de -7,15% para 1,88%).






