O Amazonense teve que gastar mais para comprar a Cesta Básica em novembro. Quem foi aos supermercados e mercadinhos da cidade teve que desembolsar em média R$ 250,56 para colocar os 12 itens alimentícios necessários na cozinha do brasileiro. Este é o valor mais caro já registrado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Pela 1ª vez, Manaus ocupa o segundo lugar com a cesta mais salgada do Brasil.
Para a economista e supervisora técnica do Diesse no Amazonas, Alessandra Cadamuro, o valor da cesta básica de novembro surpreendeu. “O resultado deste mês superou todos os outros anos. Em maio de 2010, a cesta era a mais cara até então, com R$ 249,39. Nos meses seguintes, acompanhávamos uma queda nos preços.”, revelou.
Em relação a outubro do ano passado, o aumento da cesta básica foi de 9,28%, quando custava R$ 229,28. Dentre os itens que pesaram no carrinho do consumidor estão o tomate (+21,29%), no topo da lista, o leite (+13,36%) e a farinha (+13,07). A análise do Dieese aponta como uma das causas para colocar o tomate e o leite como os vilões da lista, a seca prolongada no Estado – que reduziu o plantio e a pastagem do gado. O feijão foi outro produto que ficou mais caro para ser adquirido. O preço médio para comprar 4,5 kg foi de R$ 19,89. Em outubro, esta mesma porção era de R$ 17,82. O grão já acumula alta de 74,02%, o que está obrigando a população a trabalhar mais para ter feijão no prato. É preciso “suar” mais de oito horas para garanti-lo na panela, ano passado o tempo era de cinco horas. De acordo com Alessandra, o valor do feijão já está sofrendo uma queda, pois há uma maior oferta de colheita para os próximos meses. “O feijão possui três safras no ano, um delas já começou recentemente. Isto se reflete no preço à medida que as marcas que compram o grão estão pagando menos para o produtor, devido a grande oferta”, explicou. Na avaliação do economista Juacy Botelho, que também desenvolve pesquisa de Cesta Básica, o governo federal deverá intervir na economia do país através da manutenção da taxa de juros Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia). Ele lembra que os alimentos são os responsáveis por inflacionar a economia brasileira, aumentando a Selic, os preços poderão cair. Botelho também afirma que o governo Estadual poderia ajudar a fiscalizar os preços cobrados em Manaus e evitar valores abusivos.
Estado reduz impostos, mas preços continuam subindo
“O Estado cobra só 1% de ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços], em 12 itens da Cesta Básica. Outros Estados taxam este imposto entre 12% a 13%. Manaus tem um dos menores impostos e uma das cestas mais caras do país. Em minha opinião falta maior acompanhamento do Estado nos preços praticados”, atacou Botelho.
O secretário de Estado da Fazenda (Sefaz-Am), Isper Abrahim, argumenta que a lei estadual 2826 de 2003, a qual está inserido o ICMS, não tem como objetivo interferir no preço praticado pelo mercado. Abrhim diz que não cabe ao governo fiscalizar o preço cobrado nos estabelecimentos. “Quem comando os preços é o consumidor. Se a mercearia da esquina tem um preço mais caro, a pessoa tem que ir a um outro local para fazer as compras”.
O custo da Cesta Básica para o sustento de uma família de quatro pessoas – dois adultos e duas crianças, levando em conta que elas consomem o equivalente a um adulto- foi de R$ 751,68 para novembro. Esse valor equivale a aproximadamente 1,47 vezes o salário mínimo bruto, fixado pelo governo federal em R$ 510,00. No mês anterior, o custo da cesta básica para esta mesma família foi de R$ 687,84.
Na pesquisa do Dieese, o preço da cesta, de novembro, aumentou em todas as 17 capitais do país em que é feito o levantamento dos preços dos produtos. Além de Manaus, as altas foram mais expressivas em Fortaleza (8,03%), Vitória (6,70%) e Brasília (5,57%). As menores variações anotadas são em Porto Alegre (1,04%), Belém (2,02%), Natal (2,42%) e Salvador (2,66%).
Para os técnicos do Dieese, ainda que em sete localidades as elevações para o custo da cesta tenham superado a de São Paulo (4,26%), a capital paulista continuou a registrar o maior valor para os produtos básicos (R$ 264,61), com um valor bem acima do apurado para Manaus (R$ 250,56).







