O anúncio de corte no Orçamento de 2011 de R$ 50 bilhões, feito na última quinta-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi visto por analistas em Nova York como positivo, pois tira a pressão por um ciclo de aperto monetário mais longo. Mas será preciso que o governo mostre que tem também um plano de médio e longo prazo para não deixar somente sobre o BC (Banco Central) a responsabilidade de conter a inflação e para ajudar a fortalecer a confiança do investidor de que o governo tem uma política fiscal para todo o mandato de Dilma Rousseff.
Segundo eles, os investidores querem conferir agora onde o governo fará os cortes, o que só deve ocorrer na semana que vem.
“O corte anunciado confirma o patamar que se espera de elevação da Selic sem que o BC tenha de fazer um aumento ainda maior. É um bom começo”, disse o economista-sênior para América Latina da EIU (Economist Intelligence Unit), Robert Wood.
“Mas o investidor quer ver os detalhes, saber em que áreas serão os cortes para ter uma ideia de quão sustentável ficará a situação no ano que vem. Ele não quer ver somente ajuste deste ano, mas uma política fiscal de médio e longo prazo, que ajude a fortalecer a confiança na política fiscal deste governo. Por enquanto, não temos garantia do que vai acontecer no ano que vem e nos outros anos”, acrescentou. Wood mantém sua projeção de mais duas altas da taxa básica de juro de 0,50 ponto percentual, nas reuniões de março e abril. A Selic está em 11,25% ao ano.
O analista sênior para América Latina e emergentes da consultoria Roubini Global Economics, Bertrand Delgado, disse também que o corte previsto pelo governo pode tirar uma pressão adicional sobre o BC para aumento da Selic, mas, assim como Wood, não muda a expectativa do ciclo de aperto no curto prazo.
Ele mantém aposta de mais duas altas da Selic, em março e abril, para 12,25%.
“Foi um passo certo do governo, na direção correta. Agora, se vai ser suficiente para conter a inflação, não se sabe ainda. Creio que deve ajudar, mas a inflação deve ainda ser forte este ano”, disse Delgado.
Analistas de NY avaliam como positivo corte de R$ 50 bilhões
Em: 11 de fevereiro de 2011
O anúncio de corte no Orçamento de 2011 de R$ 50 bilhões, feito na última quinta-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi visto por analistas em Nova York como positivo, pois tira a pressão por um ciclo de aperto monetário mais longo
Redação
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