Vereadores trabalham menos e ganham 92,8% a mais que o trabalhador

Em: 11 de março de 2011
O trabalhador brasileiro está acostumado com políticas salariais que priorizam aumentos latentes nos vencimentos dos políticos e funcionários do alto escalão
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O trabalhador brasileiro está acostumado com políticas salariais que priorizam aumentos latentes nos vencimentos dos políticos e funcionários do alto escalão

O trabalhador brasileiro está acostumado com políticas salariais que priorizam aumentos latentes nos vencimentos dos políticos e funcionários do alto escalão. A realidade que aos poucos vem se modificando nos últimos governos, ainda não foi suficiente para alterar de forma real a vida de todos os operários do país, que ainda precisam arcar com jornadas duplas ou até triplas de trabalho.
Um exemplo disso é a disparidade entre os ganhos de um trabalhador comum e um parlamentar da CMM (Câmara Municipal de Manaus). Apesar de possuir um dos menores salários do meio político, este último ainda arrecada mais que 14 salários mínimos, se calculados apenas seus vencimentos líquidos, sem a contabilização das verbas de auxílio ao gabinete.
A diferença fica ainda mais evidente se compararmos o ganho diário de cada um. O vereador ganha atualmente R$ 7,30 mil (líquido), enquanto um trabalhador recebe em média R$ 545, atual contabilização para o salário mínimo. Neste mês, o parlamentar trabalhará 20 dias, enquanto o cidadão comum 21. O primeiro ganhará R$ 365 por cada dia, e o segundo meros R$ 25, 95, o que representa uma desigualdade de 92,89%.
A situação também diverge em outro fator: a quantidade de horas trabalhadas por ambos. O vereador precisa dispor de apenas 4 horas de seu dia para o exercício de sua função, enquanto o trabalhador carece de 6 a 8 horas (nas situações normais).
Para o sociólogo e cientista político, Carlos Santiago, não existem medidas a longo prazo que possam modificar a realidade brasileira. Segundo ele, a desconformidade se dá por conta da trajetória histórica do país, que sempre foi comandado por grupos políticos voltados apenas para seus próprios interesses. “As maiores decisões são e sempre foram tomadas de cima para baixo. A cadeia política sempre escolhe o máximo permitido pela legislação para si, no entanto, para a grande massa, eles optam sempre pelo mínimo. A discussão é contraditória e revela um dos maiores disparates da nossa sociedade”, analisou.

Vereadores com pouco trabalho

Os próprios parlamentares da CMM reconhecem a necessidade do aumento de suas horas de trabalho. Cerca de 15 deles já manifestaram apoio a ideia de seu colega, o vereador Paulo D’Carli (PRTB), que está propondo a modificação do Regimento Interno da Casa nas questões pertinentes aos horários de trabalho.
Hoje, conforme o Regimento, os 38 vereadores trabalham num regime de segunda a quarta-feira, das 9 h às 12 h horas. “Porém, esse tempo de permanência dos parlamentares foi definido numa época em que a Câmara tinha apenas 21 vereadores. A realidade agora é outra. Na próxima legislatura serão 41 vereadores num regime de trabalho que deve ser modificado”, esclareceu o parlamentar.
Pela proposta sugerida por D’Carli, os vereadores passariam a exercer suas funções nos mesmos dias, mas com um acréscimo de uma hora ou, se for mantido o horário atual, ele recomenda que seja acrescido mais um dia de atividade. “A ideia é que haja maior produtividade parlamentar”, justificou.
O vereador sugeriu ainda a vinculação dos ganhos dos vereadores ao salário mínimo, entretanto, esta ideia não foi bem vista por seus colegas. Eles preferiram não dar ouvidos a sugestão que frearia o aumento de seus vencimentos, hoje diretamente ligados aos dos deputados estaduais.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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