Por conta do anúncio de extinção da ‘Tarifa Social’, no próximo dia 27, feito pelo superintendente municipal de transportes urbanos, Marcos Cavalcante, o vereador Elias Emanuel (PSB), autor da proposta de Lei nº 155/2009, que sugere tornar legal a chamada ‘domingueira’ juntamente com o benefício da integração temporal, esteve na manhã da última sexta-feira 18, no Centro da cidade, angariando assinaturas para um manifesto popular que apresentará aos seus pares na CMM (Câmara Municipal de Manaus).
Emanuel está questionando a falta de lisura na divulgação do edital de licitação feito pela prefeitura.
“Quero conhecer o argumento do prefeito para isso. A desculpa do IMTU é de que o edital foi elaborado sem contemplação do benefício. O senhor Marcos Cavalcante não teve a coragem de dizer isso para a população quando lançou a licitação. Eles vão usar isso para esconder o real interesse, que é o de ser bonzinhos com os empresários”, comentando que todos os benefícios à população estão inseridos no valor da tarifa atual.
“Tudo está contido na tarifa, a gratuidade aos idosos, deficientes, a meia passagem do estudante e a domingueira também está inserida no cálculo. Por isso, a prefeitura não tem argumento para acabar com a domingueira”, pedindo que a população se junte a ele para lutar contra a decisão do Executivo.
“Peço o apoio das mais de 700 mil pessoas que utilizam o transporte coletivo. Estamos tentando o recolhimento do máximo de assinaturas possíveis, quem quiser se apresentar no sentido de também recolher assinaturas estamos a disposição. Quero mobilizar a sociedade, as lideranças comunitárias e estudantis para que na votação do projeto a Câmara seja pressionada a se sobrepor à vontade do prefeito. E se ele continuar com essa atitude entrarei na Justiça para contestar que o benefício seja retirado”, ameaçou.
O parlamentar também diz estar preocupado com a permissão para o uso da integração temporal, que hoje é feita de forma automática através da carteirinha estudantil e do cartão cidadão.
“Se hoje eles estão acabando com a domingueira, podem muito bem querer acabar com a integração social amanhã, com a desculpa de que é um benefício que encarece a tarifa”, especulou.
Projeto engavetado
Sobre o engavetamento de seu projeto proposto em 2009, Elias Emanuel falou que a Casa vivia outros tempos. Referindo-se às Legislaturas presididas por seu par, vereador Luiz Alberto Carijó (PTB). “Vivíamos outros tempos na Câmara. A presidência da Mesa e a maioria dos parlamentares, em absoluto, estavam com o prefeito, então o projeto ficou parado, ele não foi pra frente e nem para trás por razões lógicas, o presidente da Casa era apoiador de Amazonino. Agora que mudou a presidência, espero que o projeto venha a ser discutido”, frisou.
Sem apoio da população
Os amazonenses receberam com surpresa e revolta o anúncio do fim da tarifa social. A ‘domingueira’ é um dos maiores atrativos para circulação das famílias amazonenses pela cidade.
População opina sobre aumento da tarifa
O Jornal do Commercio foi às ruas para colher opiniões da população acerca do impasse.
“Eles fazem isso porque não utilizam os ônibus. Com essa atitude nada vai adiantar a presidente ter dado aumento para o salário mínimo. Já destino 20% do que ganho para o meu transporte, agora vou ter que tirar ainda mais, pois também trabalho aos domingos. Isso é uma vergonha, espero que o povo não esqueça e nas próximas eleições dê o troco”, Jair Carvalho, ambulante.
“Isso é covardia do prefeito. Ele prometeu tantas coisas antes de se eleger, e agora nos deixa à mercê dos empresários do transporte. E não é só no transporte que ele está deixando a desejar, a cidade está abandonada”,
Márcia Fernanda, estudante.
“Nós utilizamos a ‘domingueira’ para aumentar nossa qualidade de vida, já que passamos a semana na correria do trabalho. Por conta do benefício levo toda minha família para diversos lugares, e agora o senhor prefeito quer nos tirar esse direito? Mais uma vez ele está provando que não possui mais capacidade de trabalhar pela população. O melhor seria ele deixar o cargo para quem quer trabalhar pelo povo”, João Santos, operário.
“Nós precisamos do transporte coletivo, e seremos muito prejudicados com essa decisão. Tenho quatro filhos e uma das minhas filhas faz duas faculdades, ela usa a ‘domingueira’ para fazer trabalhos na casa dos colegas de aula, quando não tem saldo na carteirinha. Fico triste ao ver mais uma vez a população sendo esquecida por esses políticos sem coração”,
Maria Ozete, cozinheira.







