Indústria de bebidas já antecipa perdas

Em: 30 de março de 2011
O reajuste de valores na tabela da indústria de bebidas, cuja expectativa do governo federal é de ficar entre 10% a 15% para as fabricantes, deve tornar a cerveja, a água e o refrigerante 1,59% mais caros para o bolso do consumidor final brasileiro
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O reajuste de valores na tabela da indústria de bebidas, cuja expectativa do governo federal é de ficar entre 10% a 15% para as fabricantes, deve tornar a cerveja, a água e o refrigerante 1,59% mais caros para o bolso do consumidor final brasileiro

O reajuste de valores na tabela da indústria de bebidas, cuja expectativa do governo federal é de ficar entre 10% a 15% para as fabricantes, deve tornar a cerveja, a água e o refrigerante 1,59% mais caros para o bolso do consumidor final brasileiro. No Amazonas, o reajuste pode trazer um aumento significativo nas bebidas e ser fator de queda no consumo, além de “aperto” para as indústrias regionais.
Publicado na última segunda-feira, 28, no DOU (Diário Oficial da União), o decreto aumenta o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), o PIS (Programa de Integração Social) e a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) referente a bebidas.
A indústria de bebidas local, ainda não calculou os valores que serão repassados ao consumidor, mas a estimativa do Sindicato das Indústrias de Bebidas em Geral de Manaus, é de que o reajuste deverá trazer um impacto maior para o bolso do amazonense e influenciará para a queda do consumo de bebidas no curto prazo. “Em nível regional, pode-se esperar a queda significativa no consumo, mais ou menos dez dias após o aumento, quando os estoques deverão ser renovados e será inevitável repassar o novo preço ao consumidor”, explicou um dos diretores do sindicato, Luiz Cruz.

Realidade diferente

Segundo Cruz, os valores nacionais não refletem a realidade das indústrias do Estado, cuja situação se agrava em razão da produção ser voltada para o público regional, afetando a estrutura de custos da indústria local por ter menor escala de produção. “O grande volume de vendas está com os produtos nacionais, cuja influência é maior na média de preços. Nós produzimos em nível regional e o repasse deverá ser maior”, explicou.
O gerente-geral da J. Cruz Indústria e Comércio Ltda., Antônio Loreni, explica que antes do anúncio do aumento, os critérios para aferir lucro eram outros, com produtos avaliados pelos tamanhos e tipos, fazendo preço médio por litro. “Manaus ficou de fora da pesquisa e ficou na categoria de “outros produtos”, cuja categoria tinha o mesmo valor. Com a mudança e atualização dos preços, a avaliação é por categorias separadas. Na nossa linha, cada uma das marcas ficou numa linha de preço e numa faixa de tributo”, explicou o gerente-geral, cuja empresa é responsável pela fabricação, industrialização, envasamento e comercialização de refrigerantes e água mineral, das marcas Magistral e Yara.
O dirigente explica que, além disso, a Receita Federal diminuiu o fator redutor aumentando a base de incidência do imposto para as indústrias. “Teremos que recalcular a expectativa de lucro, o resultado da empresa vem do volume e do preço que ela pratica. Se aumentarmos o preço, teremos de reavaliar o volume. Para a indústria equilibrar, vai mexer nos investimentos. Quem tinha plano de expansão, com certeza, deve reavaliar a situação”, alertou.
Além do pouco mercado para divisão da expectativa de aumento e da falta de reajustes dos preços de referência, desde janeiro de 2009, as indústrias locais se ressentem dos constantes aumentos de insumos para a fabricação dos produtos. “Tivemos vários aumentos, como o açúcar, que foi de 90% e a garrafa de plástico, que aumentou mais de 8%. Conseguimos não repassar ao consumidor mantendo o preço e a qualidade do produto”, explicou Loreni, que estima que o repasse da Magistral ficará entre 15% e 18%, dependendo do produto e da embalagem.

Magistral aposta em estratégia diferenciada para as vendas do verão

Com relação à queda nas vendas, Antônio Loreni se diz otimista. “Entendemos que a questão da baixa nas vendas é sazonal. De janeiro a abril é o período mais fraco de consumo. Estamos confiantes por causa da estratégia de mercado da empresa para o verão”, explicou o gerente geral da fábrica da Magistral.
De acordo com o diretor de Operações da Recofarma para a América Latina, Jório Veiga, a companhia vem absorvendo os aumentos, mas chega um momento que fica difícil segurar o impacto sobre o valor dos produtos. “O repasse depende de cada indústria, de cada estoque e da política interna de repasse de preço de cada um para o mercado, que ao mesmo tempo deve manter as margens necessárias ao negócio”, explicou Veiga, avaliando a expectativa de tempo em que o consumidor deverá sentir o aumento de preço. “Mesmo que tenha estoque de material, cedo ou tarde o reajuste chega ao consumidor, mas temos certeza de que as empresas farão o possível para que o consumo não sofra tanto impacto e para refletir o menos possível no preço final”, afirmou.

Investimentos e empregos

Conforme Veiga, as empresas têm investido bastante e cumprido o compromisso com o governo de aumentar a capacidade de produção e gerar empregos. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), desde a última atualização em 2009, o valor da cerveja subiu 17,3%, e o refrigerante e a água em garrafinhas ficaram em 16,6% acima da inflação de janeiro de 2009. Quanto ao item que deverá sofrer queda maior no consumo, o diretor da Recofarma prefere não determinar. “Depende da época do ano. Imaginamos que o impacto do aumento será o mesmo sem discriminar o tipo de bebida”, afirmou.
Segundo a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), a indústria de bebidas do PIM (Polo Indústrial de Manaus) faturou US$ 238.66 milhões em 2010, e fechou janeiro de 2011 com US$ 16.42 milhões. Atualmente emprega mão de obra mensal média de 1.711 trabalhadores (incluindo efetivos, temporários e terceirizados).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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