As companhias de Cingapura desejam investir no mercado brasileiro, mas a burocracia no país atrapalha em parte esse avanço, principalmente no caso das empresas de menor porte. O diagnóstico foi feito pelo embaixador de Cingapura no Brasil, Choo Chiau Beng. Embora tenha destacado que o comércio bilateral está crescendo, Choo citou o grande número de órgãos que as empresas precisam consultar e o sistema tributário local como entraves para essa relação comercial. “O Brasil deve retificar isso para ser mais competitivo”, avaliou. Embaixador que não reside no Brasil, Choo chegou ao país na segunda-feira passada, no primeiro voo direto da Singapore Airlines entre as duas nações.
Segundo Choo, as companhias de Cingapura têm interesse em investir no Brasil em áreas como energia e infraestrutura. No primeiro caso, há o desejo de se aliar as companhias brasileiras na exploração do petróleo da camada do pré-sal, e também do etanol. Já em infraestrutura, a intenção é trabalhar em obras de aeroportos e portos, por exemplo, de olho na Copa do Mundo em 2014 e na Olimpíada do Rio, dois anos depois.
Por outro lado, o embaixador defende que empresas brasileiras vejam Cingapura como uma boa opção para fazer negócios com a Ásia, pelo fato de o país funcionar como plataforma para distribuição de produtos para outros países da região como China e Japão.
O comércio entre os dois países atingiu a cifra de US$ 3 bilhões no ano passado e, de acordo com Choo, poderá aumentar em 5% ou até mais neste ano. Ele destacou que o Brasil é um grande exportador de alimentos para a ilha-Estado, que possui em torno de 5 milhões de habitantes. “Noventa por cento de nossas importações de frango congelado são provenientes do Brasil”, disse o embaixador. Cingapura é o quarto mais importante parceiro comercial do País na Ásia, atrás de China, Japão e Coreia do Sul.
Crise nuclear
Choo comentou também a recente crise nuclear no Japão, após um terremoto e um tsunami em 11 de março provocarem problemas na usina nuclear Daiichi, em Fukushima. O embaixador disse que o país não tem usinas de energia nuclear e descartou a possibilidade de o país utilizar tal energia, argumentando que, na ocorrência de uma crise similar à do Japão, não haveria condição de uma rápida retirada das pessoas da área de risco.
O embaixador disse ainda que testes feitos pela agência de segurança alimentar do país mostraram radiação em alimentos vindos do Japão, o que provocou a suspensão de importações de vegetais e frutos do mar desse país. Cingapura importa quase todos seus alimentos. No lugar dos produtos japoneses, Cingapura está importando de países como Nova Zelândia, Austrália e Chile.







