Um dia após a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reafirmarem a preocupação do governo com a inflação, o BC (Banco Central) divulgou hoje dados sobre o estoque de crédito brasileiro em março, que totalizou R$ 1,752 trilhão, um crescimento de 1% sobre o mês anterior, equivalente a 46,4% do PIB (Produto Interno Bruto). Ontem, Dilma chegou a dizer que “compreende” o “calor da paixão” no debate econômico, mas que preferia aguardar a ação das medidas já tomadas para fazer “reduções seletivas” do crédito e do consumo e chegar a um “crescimento moderado”.
Hoje foi a vez do reforço da mensagem com ajuda do chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel, que afirmou que o crédito caminha para um ritmo de crescimento no nível desejado pela autoridade monetária. O BC projeta alta de 13% para o crédito neste ano e o presidente da instituição, Alexandre Tombini, já afirmou em outras ocasiões que deseja um crescimento de 10% a 15% para o crédito.
A inadimplência nas operações de crédito ficou estável no mês de março, ao permanecer em 4,7%. No caso da pessoa física, a inadimplência ficou em 5,9% em março ante 5,8% de fevereiro. Já para pessoa jurídica, o volume de calotes não apresentou alteração, fechando março em 3,6%. Para Maciel, a estabilidade da inadimplência ocorre em função da continuidade do crescimento econômico, que mantém em alta tanto o emprego como a renda. Mas ele avalia que o indicador de calotes pode ter alguma leve alta nos próximos meses, já que os índices de atrasos de até 90 dias (que é um indicador antecedente da inadimplência) tem subido neste início de ano.
Maciel afirmou que as medidas macroprudenciais adotadas pelo governo, desde o ano passado, já surtiram efeito em março, e a taxa de crescimento da concessão de crédito já está em ritmo mais moderado que a verificada em 2010. “O crescimento mais moderado do crédito está em linha com a política monetária mais restritiva, que visa, principalmente, o combate à inflação”, afirmou. Apesar da alta de 1% no estoque de crédito do sistema financeiro em relação a fevereiro, houve crescimento de 20,7% no acumulado dos últimos 12 meses até março.
Mas Maciel explicou que a tendência é de que esse crescimento em 12 meses também comece a cair a partir da incorporação dos números do crédito de 2011.
“No segundo semestre (de 2010) teve um crescimento mais acelerado do crédito. A taxa de 12 meses tende a recuar quando incorporar novos dados de 2011”, afirmou o chefe do Depec, referindo-se ao impacto mais forte das medidas prudenciais e do aumento da Selic no crédito, nos próximos meses.
Ele afirmou ainda que a taxa de juros cobrada nos empréstimos – que passaram de 38,1% ao ano, em fevereiro, para 39% ao ano em março – reflete o ciclo de elevação da taxa de juros e o impacto das medidas macroprudenciais.
Crescimento do crédito está no nível ‘desejado’
Em: 28 de abril de 2011
Um dia após a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reafirmarem a preocupação do governo com a inflação, o BC (Banco Central) divulgou hoje dados sobre o estoque de crédito brasileiro em março, que totalizou R$ 1,752 trilhão
Redação
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