Exploração comercial de aeroportos é atrativo de concessão

Em: 28 de abril de 2011
A exploração comercial dos aeroportos, como o aluguel de lojas, pode ser o principal atrativo num modelo de concessão, segundo o consultor da McKinsey Arlindo Eira Filho
A exploração comercial dos aeroportos, como o aluguel de lojas, pode ser o principal atrativo num modelo de concessão, segundo o consultor da McKinsey Arlindo Eira Filho

A exploração comercial dos aeroportos, como o aluguel de lojas, pode ser o principal atrativo num modelo de concessão, segundo o consultor da McKinsey Arlindo Eira Filho. “A receita comercial nos outros países do mundo chega a ser a principal fonte de receita dentro de um aeroporto”, afirmou o consultor, que conduziu no ano passado um estudo sobre o setor aéreo a pedido do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
“Os melhores operadores aeroportuários chegam a ter 50% de sua receita vinda da exploração comercial. No Brasil, ela gira entre 20% e 25%”, diz. Segundo ele, no Brasil, cada passageiro consome entre 2 e 3 euros nos aeroportos, enquanto no exterior esse consumo chega a 14 euros por passageiro.
O governo anunciou ontem que lançará editais propondo a concessão dos aeroportos de Guarulhos, em São Paulo, e Brasília, no início de maio, seguido de Campinas, no interior paulista, até o final do mês. Até o início de julho devem sair ainda os editais para os aeroportos de Confins, em Belo Horizonte, e Galeão, no Rio de Janeiro. As concessões serão exclusivas para obras de ampliação dos terminais. O modelo de concessão prevê que a empresa vencedora da licitação execute as obras necessárias e, em contrapartida, explore comercialmente o aeroporto, com aluguel de lojas.

Sistema aeroportuário positivo

Segundo o consultor da McKinsey, nem todos os aeroportos são superavitários, mas é possível que o sistema aeroportuário do país como um todo tenha resultado positivo. Ele explica que há duas alternativas que podem ser seguidas pelo governo. Uma delas é incluir num mesmo pacote aeroportos lucrativos e não lucrativos e repassá-los juntos para a iniciativa privada. O outro seria conceder a concessão apenas dos lucrativos e repassar o dinheiro obtido para os não lucrativos. “Posso transferir recursos via subsídios implícitos entre os aeroportos montando pacotes de aeroportos lucrativos e não lucrativos ou então pegar a receita adicional dos aeroportos lucrativos e transferir via transferência direta de receita de caixa para os não lucrativos”, diz.
Questionado sobre os riscos de a empresa vencedora da concessão depois de um tempo recorrer a empréstimos do governo sob alegação de que a operação não é viável financeiramente, Eira Filho disse que “risco é intrínseco a qualquer atividade empresarial”. “A modelagem econômica vai definir quais serão os riscos do governo e da iniciativa privada”, afirmou. “Mas não me parece que esse é um risco grande. No aeroporto há monopólio comercial. A concorrência é entre os lojistas, mas toda receita operacional vai para o operador”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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