O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro deve crescer 1,4% no primeiro trimestre deste ano, ante o quarto trimestre do ano passado. A estimativa consta do Boletim Macro Ibre, nova publicação mensal do Instituto Brasileiro de Economia da Ibre/FGV (Fundação Getúlio Vargas), lançado na última quinta-feira pela entidade. Para o economista da instituição, Regis Bonelli, mesmo com as medidas macroprudenciais lançadas pelo governo, a economia doméstica ainda se encontra relativamente aquecida, o que seria um sinal de alerta importante para compor as expectativas de inflação em 2011.
Segundo Bonelli, a projeção do Ibre/FGV para o PIB acumulado em quatro trimestres até o primeiro trimestre de 2011 – dado ainda não anunciado pelo IBGE – é de 6,3%, o que é considerado um patamar elevado, para o especialista. Na comparação com o primeiro trimestre de 2010, o PIB do primeiro trimestre deste ano deve subir 4,2%. “As medidas do governo, de elevar juros, de conter um pouco o crédito, estão surtindo efeito, mas de forma muito lenta. Acredito que possam conduzir a um desaquecimento do mercado doméstico, mas de forma muito gradual”, assinalou Bonnelli. Ele acrescentou que o consumo das famílias deve crescer 1,3% no primeiro trimestre deste ano, ante o quarto trimestre do ano passado, com taxa positiva de 6,7% no acumulado dos quatro trimestres até o primeiro trimestre de 2011.
As projeções para segmentos dentro da economia também pesquisados mostram taxas de crescimento, em outros níveis de atividade, mais fracas do que as registradas no ano passado, mas também apontam sinais de demanda ainda aquecida Estimativas citadas pelo economista da instituição Aloísio Campelo mostram que a produção industrial deve continuar crescendo este ano, mas a taxas inferiores às apuradas do comércio. “Estamos estimando um crescimento entre 2,7% e 3% para a produção industrial este ano, e as vendas do comércio varejista devem subir quase o dobro disso, acima de 5% este ano”, afirmou Campelo.
Estas taxas são inferiores às registradas no ano passado, quando a produção industrial cresceu 10,5% em 2010; e o comércio varejista mostrou salto recorde de 10,9%. Campelo justificou as projeções considerando que a atividade industrial, ainda se recuperando dos efeitos negativos da crise global, está com menor ímpeto – mas, ao mesmo tempo, as vendas do comércio varejista ainda crescem a taxas expressivas, devido à continuidade do aquecimento da demanda doméstica.
Mercado já espera ritmo mais lento e desemprego
O mercado de trabalho, por sua vez, mostra desaquecimento, mas ainda em ritmo lento. O economista do Ibre/FGV Rodrigo Leandro de Moura informou que a previsão do instituto para a taxa de desemprego em abril, ainda não anunciada pelo IBGE, é de 6,6%, levemente acima da taxa apurada em março, de 6,5%. Mas a avaliação do especialista é de que o desemprego este ano seja mais intenso entre trabalhadores com escolaridade mais baixa. Ou seja: o desemprego deve atingir menos os empregados mais especializados, com salários mais elevados. Para Moura, a renda média real deve continuar em crescimento, a não ser que as medidas macroprudenciais de elevação de juros e contenção de crédito afetem de alguma forma a estabilidade do emprego dos mais escolarizados. Isso deve ajudar a compor um bom cenário no poder aquisitivo da população, este ano.
O IPCA em 2011 deve ficar muito próximo ao teto da meta inflacionária para este ano, de 6,5% – mas há um risco de se superar o teto, na avaliação do coordenador de Análises Econômicas da FGV Salomão Quadros. Ele fez o comentário ao detalhar as estimativas do Boletim Macro Ibre. O levantamento prevê uma faixa entre 6% e 6,5% para o indicador em 2011. A projeção do boletim para o IPCA de maio é de alta de 0,70%. “Creio que vai ficar dentro do teto da meta. Mas que há um risco, há”, admitiu.
No entanto, o especialista fez uma ressalva. Ele admitiu que o avanço nos preços de serviços não comercializáveis, como manicure, dentista e funerária, continua intenso no varejo. A projeção do boletim para a taxa de crescimento nos preços dos serviços este ano é de 9%. Para o analista, o acompanhamento do setor de serviços é condição preponderante no combate à inflação pelo governo. O setor deve ser determinante para que a inflação em 2011 supere ou não o teto da meta. “O importante é que o combate à inflação seja feito de forma contínua e persistente. Isso ajuda a diminuir as expectativas inflacionárias”, avaliou. No que concerne a aumento da taxa de juros e condução de política monetária, a projeção dos economistas que fazem o boletim do Ibre é de uma taxa básica de juros (Selic) entre 12,35% e 12,50% até o final de 2011. Atualmente, a taxa encontra-se em 12%.
Para o especialista, o mais provável é que, nos próximos três meses, a inflação mostre trajetória de desaceleração, devido à menor influência de aumentos de preços sazonais do início do ano.







