A situação dos fragmentos florestais urbanos será um dos principais pontos a constar de um documento que a Comissão do Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Amazonas encaminhará ao senador Jorge Viana (PT-AC), relator do projeto do novo Código Florestal no Senado, segundo informou ontem ao Jornal do Commercio o deputado Luiz Castro (PPS), para quem a questão foi completamente ignorada pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que relatou a matéria na Câmara Federal. “Precisamos corrigir esse absurdo no Senado”, afirma o parlamentar, ressaltando que os problemas das matas urbanas em cidades como Manaus, em plena Amazônia, “é um escândalo, com apenas 30% das matas primárias preservadas”.
Na audiência pública realizada na Aleam, na tarde da última terça-feira (28), para debater o projeto, Castro lamentou o encaminhamento da matéria no âmbito da Câmara Federal, com prejuízos à região amazônica. “O Código é omisso quanto à situação das florestas desmatadas e degredadas”, apontou, enfatizando que o documento da sua Comissão relevará também a preocupação com as atividades econômicas nas várzeas da região.
Com posição antagônica a de Castro, o presidente da FAEA (Federação de Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, defendeu o projeto do novo Código e esclareceu que as audiências públicas no Estado do Amazonas, reclamadas por diversos parlamentares na Aleam, ocorreram no município de Boca do Acre, na região do rio Purus. Para ele, o Código atende aos interesses do setor primário do Estado e se justifica em nível nacional pelo fato de a antiga legislação datar de 1965. “De lá para cá, a agricultura e a pecuária do país foram regidas por medidas do Palácio do Planalto e resoluções do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), e o resultado é que essa lei caduca jogou noventa por cento dos agricultores brasileiros na ilegalidade”, desabafou.
De acordo com Muni Lourenço Silva, o novo Código Florestal representa os anseios de pelo menos 99% do setor agropecuário do país. Contestando os que consideram as mudanças como uma ameaça às empresas e ao meio ambiente, ele disse que o projeto permitirá ao setor agropecuário a regularização das áreas de várzeas no Amazonas, onde hoje estão em atividade cerca de 120 mil produtores.
O presidente da FAEA destaca que o projeto é claro com relação ao desmatamento em áreas de preservação permanente, determinando expressamente “ser vedada a expansão das áreas ocupadas, ou seja, não poderá haver qualquer supressão de vegetação nas APPs para a implantação de novas atividades agrícolas”. Para ele, não corresponde à realidade a afirmação de que o texto aprovado pela Câmara dos Deputados exclui a União da definição das regras do Programa de Regularização Ambiental, não estando o Palácio do Planalto excluído de tal incumbência, porque “as condições dos programas serão definidas no âmbito federal, se materializando por decreto da presidenta Dilma”.
ALE pedirá mudanças no projeto do novo Código Florestal
Em: 30 de junho de 2011
Na audiência pública realizada na Aleam, na tarde da última terça-feira (28), para debater o projeto, Castro lamentou o encaminhamento da matéria no âmbito da Câmara Federal, com prejuízos à região amazônica
Redação
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