Enfrentando pressão por parte do mercado e do próprio governo, o Copom (Comitê de Política Monetária) surpreendeu ao decidir, na noite de ontem, pela primeira vez no governo Dilma, baixar a taxa básica de juros Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), de 12,5% para 12%. O resultado confirmou a expectativa das entidades ouvidas durante o dia pelo Jornal do Commercio, que desejavam o juro menor, embora não acreditassem na alteração do BC (Banco Central).
O titular do Corecon–AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Júnior, por exemplo, apostou que a taxa seria mantida. “Há uma forte pressão para baixar a inflação de demanda que cresce com o aquecimento da economia, mas acredito que o Bacen não vá aumentar a taxa mais uma vez e sim mantê-la no mesmo patamar”, arriscou.
Agora, com o novo valor da taxa, a indústria deve comemorar, uma vez que “o resultado ideal para o industriário seria exatamente uma redução da Selic”, conforme avaliou anteriormente o economista.
Isso porque, segundo explicou o diretor executivo do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Ronaldo Mota, a baixa taxa de juros representa mais crédito para o consumidor o que, por consequência, aumentaria a produção industrial.
Produção esta, que no Amazonas vem amargado queda. De acordo com os últimos dados regionais divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção industrial no Amazonas caiu 3,7% em junho causando preocupação para o setor.
Entre os entrevistados, o vice-presidente da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens de consumo, Serviços e Turismo do Amazonas), Aderson Frota, foi o que mais se aproximou da decisão do Comitê ao afirmar que o Estado entrou em seu melhor momento com a chegada do verão e início da produção para o Natal.
De acordo com ele, a redução de R$ 10 bilhões nos gastos anunciada pelo governo é uma estratégia para imprimir confiança frente ao Copom. “Além disso, fatores como o superavit primário que já alcançou mais de 80% da meta anual, a inflação menos galopante, a queda da inadimplência, a diminuição do deficit da Previdência Social e a reação das bolsas de valores são sintomas positivos que devem levar a redução. “Se não houver redução, mas for criada ao menos uma expectativa nesse sentido já será um bom resultado para nós”, finalizou.
Copom decide baixar juros
Em: 1 de setembro de 2011
Enfrentando pressão por parte do mercado e do próprio governo, o Copom (Comitê de Política Monetária) surpreendeu ao decidir, na noite de ontem, pela primeira vez no governo Dilma, baixar a taxa básica de juros Selic , de 12,5% para 12%
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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