Indústria é mais vulnerável à crise externa

Em: 16 de setembro de 2011
Ao contrário do discurso amplamente repercutido de que a economia tanto no Amazonas como no resto do país está estabilizada, dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) mostram que o Brasil, em especial o setor industrial, não está blindado
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Ao contrário do discurso amplamente repercutido de que a economia tanto no Amazonas como no resto do país está estabilizada, dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) mostram que o Brasil, em especial o setor industrial, não está blindado

Ao contrário do discurso amplamente repercutido de que a economia tanto no Amazonas como no resto do país está estabilizada, dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) mostram que o Brasil, em especial o setor industrial, não está blindado aos efeitos da crise mundial.
Pesquisa divulgada pela entidade na quarta-feira, 14, aponta que a crise levou os bancos a projetarem um crescimento de 3,5% do PIB (Produto Interno Bruto) contra a estimativa de agosto que era de 3,9%. A preocupação foi reforçada pela diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, que alertou, ontem, sobre a ausência de imunidade dos países emergentes frente à crise econômica.
“Macroeconomicamente, o Brasil está estabilizado já que os comodities mantêm o bom nível de exportação. Acredito que não vamos sofrer tanto como ocorreu na crise passada quando o índice de inflação era bem mais alto e tudo o que acontecia nos Estados Unidos nos afetava”, avaliou o consultor empresarial e ex- presidente da Câmara Nipo- Brasileira, Teruaki Yamaguishi.
Já para o professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas) e economista, José Alberto Machado, a compra de títulos estrangeiros praticada pelo Brasil pode trazer conseqüências futuras. “Se eles estão em crise, podemos sim ter problemas por conta da desvalorização”.
Em contrapartida, ele aponta o Brasil como um bom destino para os recursos estrangeiros, representando um fator de crescimento.
“O resultado positivo ou negativo vai depender que o Brasil receba esse recurso vindo de fora e saiba aplicar corretamente em investimentos diretos e não em especulações. Outro proveito é o país poder assumir posições novas e estratégicas no FMI”, explanou.

Indústria

Dentre os setores econômicos, a indústria é o mais vulnerável, conforme análise do vice-presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailson Nogueira Rezende. “A queda do dólar vivenciada durante boa parte desse ano trouxe um processo de desindustrialização, que atingiu o país inteiro inclusive o parque amazonense. Não significa que não obtivemos crescimento industrial, mas o maior incremento foi com certeza no terceiro setor”, afirmou.
Porém, ele aposta nas medidas do Governo de tentar manter o dólar a uma cotação mais alta (R$ 1,72) e da redução de 0,5% da Selic como promessas de novo fôlego à industria.
Para o Amazonas, segundo José Alberto Machado, o principal efeito até o momento é a invasão dos produtos asiáticos.
“Outro efeito quase imperceptível é que como a matriz das empresas geralmente fica localizada em São Paulo ou mesmo no exterior, a percepção de risco é global, não se avaliam casos individuais como as empresas de Manaus. Aqui temos mercados cativos e boas condições, mas com essa visão globalizadas, acabamos sendo afetados”, explicou.
Ainda de acordo com ele, “Estamos até o momento passando pela crise não sem influencia, mas menos frágeis do que outros lugares”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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