Com retração de aproximadamente 80%, a geração de empregos na indústria amazonense despencou em outubro, de acordo com os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). Foram apenas 271 vagas, queda de 84% em relação ao mês anterior, quando foram criados 1.685 postos de trabalho, e de 83,2% na comparação com outubro de 2010, mês em que 1.612 carteiras de trabalho foram assinadas. O mau desempenho só ficou atrás do mesmo mês de 2008 em função da crise mundial (-872 postos) e de 2006 quando houve decréscimo de 19 vagas no período.
“Outubro já marca o final da produção para o Natal. Então, para não onerar a folha de pagamento, a indústria opta por contratar temporariamente só o contigente necessário”, explicou o economista e professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), Francisco de Assis Mourão.
O presidente do Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), Wilson Périco, lembra que os dados do Caged não apontam os empregos temporários, apenas dão conta da quantidade de carteiras assinadas no período, e é sazonal que se contratem terceirizados nesse período. “De qualquer forma, embora bem menor, o saldo foi positivo. A economia interna é que vai dar o direcionamento da indústria. Só vamos nos preocupar se houver retração no consumo, mas não é isso que temos observado” apontou.
Para o presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Eletrônicos de Manaus), Athaydes Mariano Félix, outro motivo seria uma desaceleração do PIM a partir da segunda quinzena de outubro. “A indústria entrou de stand by na produção e venda em razão da crise na Europa”, destacou.
Para o titular da SRTE/AM (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Amazonas), Dermilson Chagas, a pausa é consequencia de uma atitude de cautela por parte do empresário da indústria. “Nosso empresário é cauteloso. Preferiu aguardar o cenário global melhorar e investiu na contratação de temporários para não ter prejuízos mais na frente”, completou.
Segmentos
Em outubro, foi o setor de serviços que comandou a geração de empregos no Estado com 1.143 vagas geradas, praticamente o mesmo número do mês passado, (+1.145 postos) embora tenha sofrido retração de 11,5% em relação a igual período de 2010.
Para o vice-presidente da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, o incremento do setor de serviços se deve a movimentação inicial com as obras para a Copa de 2014. “Apesar de parte das atividades da construção civil se caracterizar como indústria, pequenas empreiteiras, imobiliárias, e a rede hoteleira que tem crescido muito em virtude de grandes eventos na cidade, colaboram para o bom desempenho do setor”, explanou.
Em segundo lugar, aparece o comércio com geração de 611 vagas, contra as 237 de setembro deste ano, – crescimento de mais de 150% – e pequena retração (-16,07%) no comparativo com outubro de 2010, quando foram gerados 728 empregos.
“O comércio, que agora aparece em segundo, tem suas contratações intensificadas a partir deste mês. Então, é possível que na próxima planilha do Caged o setor já apareça como maior empregador”, destacou Aderson Frota.
A construção civil criou 504 postos, contra os 342 do mês anterior e contra os 305 de outubro do ano passado, crescimento de 47,3% e 65,2% respectivamente.
Amazonas
– No total, o Amazonas gerou em outubro 2.627 vagas de empregos celetistas, queda de 22,48% em relação as 3.389 do mesmo período do ano passado e de 20,84% contra as 3.319 de setembro de 2011.
– Esse número representa o terceiro pior desempenho para o mês, desde o início da série histórica do Caged em 2003, perdendo apenas para os resultados de outubro de 2005 e 2006 quando foram geradas 2.430 e 2.141 vagas, respectivamente.
– No ranking nacional, o Estado ficou em 13º lugar. Entre os Estados da Região Norte, obteve o segundo melhor desempenho ficando atrás do Pará que criou 5.963 empregos em outubro.
– No acumulado do ano foram gerados 47.915 postos de trabalho. No mesmo período do ano anterior o saldo foi de 26.590, aumento de 80,2%.
– Nos últimos doze meses (entre outubro deste ano e outubro de 2010) 43.745 vagas foram geradas.
Brasil
O Brasil criou 126.143 vagas com carteira assinada em outubro, menor número para o mês desde 2008, quando foram criados 61.401 postos de trabalho formais.
O resultado é 38,4% inferior ao verificado no mesmo mês do ano passado, quando foram gerados 204.804 postos de trabalho.
Os principais setores responsáveis pela geração de emprego foram de serviços (77.201 postos de trabalho gerados), comércio (60.878), construção civil (10.298) e indústria de transformação (1.224).






