Desvantagens locacionais minam vantagens tributárias da ZFM

Em: 13 de dezembro de 2011
Especialistas avaliam que opção de chinesas do polo de duas rodas por Pernambuco mostra o tamanho do prejuízo estrutural do Amazonas
https://www.jcam.com.br/ppart13122011.jpg
Especialistas avaliam que opção de chinesas do polo de duas rodas por Pernambuco mostra o tamanho do prejuízo estrutural do Amazonas

“As vantagens fiscais da Zona Franca são grandes, mas as desvantagens locacionais são bem maiores”. A frase do economista Hélio Pereira resume o que foi a audiência pública sobre a ZFM (Zona Franca de Manaus), que ocorreu na manhã de ontem (12) na Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas).
Deputados e economistas debateram principalmente sobre a falta de infraestrutura e políticas públicas para expandir o modelo ZFM. O economista Serafim Corrêa disse que há cinco pontos fundamentais que precisam ser melhorados: energia elétrica, porto, aeroporto, internet de banda larga e estradas.
Segundo o economista, Manaus está perdendo espaço no polo de duas rodas com a instalação de três fábricas chinesas em Pernambuco. Os atrativos incluem um porto que recebe navios regularmente da China, a malha viária que liga o Estado nordestino aos grandes centros consumidores, além da energia estável que vem da Hidrelétrica de São Francisco. Para Serafim, os empresários chineses viram que é mais barato produzir em Pernambuco do que em Manaus. “Com os todos os incentivos fiscais, o chinês não quis vir pra cá”, disse.
O presidente do Corecon/AM (Conselho Regional de Economia), Erivaldo Lopes, ressaltou que não se pode prorrogar a Zona Franca se não capacitar e estruturar em todos os detalhes da questão tributária. “Qual o desprendimento de investir em um município que não vai dar retorno, que não vai dar condições para se instalar?”, afirma o presidente.
O economista Hélio Pereira reforçou que o número de indústrias em Manaus devia ser bem maior que o atual. “Aqui não devia ter só 500 indústrias e sim 5 mil”, disse Hélio Pereira. Para ele, existe uma série de impedimentos que emperram o desenvolvimento da Zona Franca.

Reforma tributária

A reforma tributária também foi debatida na audiência pública. Uma das preocupações dos amazonenses é a diminuição da alíquota do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) interestadual. Para Serafim Corrêa, a bancada amazonense precisa buscar argumentos, já que algumas regiões, como os nordestinos, estão unidos para diminuir o ICMS entre os Estados. “Está na hora de listar tudo, preparar para o debate e partir para uma repactuação do pacto federativo”, disse Serafim Corrêa.
Erivaldo Lopes também defendeu que o modelo, criado como estratégia de desenvolver uma região isolada como o Amazonas, não pode depender apenas de emendas ao decorrer do tempo.
Também estiveram presentes à audiência, o diretor executivo da CDLM (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus), Manuel Joaquim Oliveira, a gerente de políticas públicas do Sebrae, Lamisse Said, o deputado estadual do PCdoB, Marcelo Ramos, além do organizador do debate, deputado estadual do PT, José Ricardo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar