INFLAÇÃO – Núcleo do IPC-DI é o mais forte desde maio de 2005

Em: 9 de janeiro de 2012
Todas as sete classes de despesa no varejo, com exceção de alimentos, contaram com aceleração de preços no período, segundo especialista da FGV
Todas as sete classes de despesa no varejo, com exceção de alimentos, contaram com aceleração de preços no período, segundo especialista da FGV

O núcleo da inflação varejista de dezembro do ano passado medido pelo IPC-DI (0,62%) foi o mais forte desde maio de 2005 (0,65%), segundo o coordenador de Análises Econômicas da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Salomão Quadros. Usado para mensurar tendências, o núcleo é calculado a partir da exclusão das principais quedas e das mais significativas altas de preço junto ao consumidor, e mostra inflação persistente no varejo, principalmente no setor de serviços.
O especialista ressaltou que, em 2011, a crise internacional foi indiretamente a grande responsável pela desaceleração da inflação medida pelos IGPs contra 2010, visto que derrubou preços das commodities agropecuárias e minerais. A influência do ambiente internacional turbulento deve continuar a operar nos primeiros meses deste ano, com possibilidade de taxas mensais mais fracas para os IGPs, frente ao começo do ano passado.
No entanto, a influência benéfica do cenário internacional não abrange todos os componentes dos IGPs, formado por atacado, varejo e construção civil. “Podemos ver que o varejo, que não sofre muita influência do cenário internacional, acelerou de 6,24% para 6,36% de 2010 para 2011. Todas as sete classes de despesa no varejo, com exceção de alimentos, contaram com aceleração de preços no período”, afirmou. De 2010 para 2011, somente a inflação de serviços medida pela fundação saltou de 5,43% para 6,94%. Entre os serviços que mais subiram está alimentação fora de casa, que saltou de 7,48% para 8,19% no mesmo período.
“O ano vai começar com a inflação mais baixa. Mas é difícil fazer previsões sobre a inflação dos serviços. Ela até recua, mas muito lentamente. No varejo, a inflação global vai recuar no começo do ano, beneficiada por bens de consumo e por alimentos mais baratos, mas a de serviços, pode resistir mais”, avaliou.

Redação

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