Brasil carece de bons líderes no mercado

Em: 13 de janeiro de 2012
Avaliação é de especialistas ao apontarem que para mudar esse perfil é preciso praticar atitudes de lideranças
Avaliação é de especialistas ao apontarem que para mudar esse perfil é preciso praticar atitudes de lideranças

Faltam líderes no mercado amazonense para assumir cargos gerenciais e mesmo diretorias nas grandes empresas nacionais e multinacionais. De acordo com Paula Pedrosa, diretora-executiva da Paulo Pedrosa Headhunter & Associados, empresa especialista em consultoria de recursos humanos no Amazonas, essa carência pode afetar o crescimento das organizações. “Sem um bom líder, a organização fica desorganizada, com gargalos. As pessoas ficam desmotivadas para trabalhar, sem ânimo e pique. Pessoas são o coração de uma empresa, são elas que fazem a companhia funcionar. Para que elas sejam motivadas, um bom líder é a solução ideal”, destaca.
A diretora comenta que conhece casos de pessoas que trabalham em empresas que, se fossem optar, não teriam escolhido trabalhar nelas, mas os seus líderes as fazem querer, e fazer o seu melhor em prol da companhia. “É isso que um bom líder faz”, disse Paula, que apesar de não possuir dados, afirma que ouve dizer que em média 80% dos líderes levantados nas empresas hoje são por serem bons funcionários, que dão conta do trabalho técnico, têm tempo de casa, mas que não necessariamente são líderes.
Paula explica que é por isso que a demanda surgiu, pois aquele profissional, era de fato, muito bom em seus afazeres, mas por enquanto ele não possui a habilidade de gerir. “Se a empresa enxergar que ele não tem habilidade, mas possui potencial necessário, ela pode trabalhar isso no profissional”, indica.
E melhor ainda é quando o próprio profissional enxerga que precisa de tais habilidades para liderança, e ele mesmo procura meios para trabalhar isso. A diretora-executiva ressalta que a carreira do profissional é o seu produto, caso a empresa não invista, ele deve investir, para que seja cada vez mais presente no mercado de trabalho, em boas corporações. “Infelizmente, a maioria das pessoas não consegue ver o que precisa ser melhorado em si, isso é coisa do próprio ser humano. Se conseguirmos enxergar e trabalharmos essas áreas, o crescimento será inevitável. Outras pessoas pensam que isso é dever apenas da empresa, quando o dever maior é do próprio profissional, seguido da empresa”, aponta.
Há quem diga que liderança vem de berço, mas a especialista discorda. Paula conta que com força de vontade e disciplina, qualquer um consegue ser um bom líder. “Influenciar pessoas, ser exemplo, as fazerem dar o melhor de si é o que de melhor um líder faz. E mesmo que o profissional não tenha nascido com essas habilidades, ele consegue as fazer ser parte de seu perfil profissional”.
E para quem deseja crescer como um bom líder, ela acrescenta que liderar não se ensina em faculdade, isso tem que surgir da pessoa. “A pessoa precisa querer se aperfeiçoar, e o treino, na verdade, é na prática. No seu âmbito profissional, se espelhar em um bom líder, ler livros, pesquisar, mudar hábitos, comportamentos e atitudes. Passar por cima do seu próprio “eu””, ensina Paula. Já para as empresas, uma boa saída é a contratação de um coach, para um programa de coaching. “Esse profissional ajuda você a potencializar e maximizar suas qualidades, minimizar suas falhas, fazendo com que você mesmo alcance o perfil de líder que deseja”, conclui.

Carência nacional

E esse é um problema que aflige todo o Brasil. De acordo com o Olavo Henrique Furtado, coordenador dos cursos de pós-graduação e MBAs da Trevisan Escola de Negócios, escola de negócios voltada para gestores, do Sudeste do país, por conta disso, diversas organizações estão apostando em um novo processo: o trainee executivo, cujo salário varia entre R$ 4 mil e R$ 8 mil. “O problema é que os profissionais estão sendo alocados em uma função sênior, sem ter perfil para isso. A dificuldade das empresas está cada vez maior. O perfil das funções tem mudado sem que ainda tenhamos conseguido responder às exigências anteriores. Se já não temos tantos trainees no perfil antigo, imagine quando houver novas exigências a esta função”, informou.
Na avaliação de Furtado, além desse há o problema nas instituições que estão deixando a desejar na qualificação desses líderes. “As escolas de negócios têm que observar as novas exigências do mercado para reformularem seus programas de capacitação e aliar a formação cognitiva com a técnica”, comentou o profissional.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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