Fabricantes de TV podem ir à Justiça contra interatividade

Em: 18 de janeiro de 2012
Representantes de dez indústrias estiveram reunidos ontem na sede da Eletros avaliando a questão de que os 30% dos aparelhos sejam equipados com o software Ginga
Representantes de dez indústrias estiveram reunidos ontem na sede da Eletros avaliando a questão de que os 30% dos aparelhos sejam equipados com o software Ginga

Fabricantes de televisores estão se preparando para uma batalha jurídica contra o governo, que pretende obrigar, a partir de julho, que 30% dos aparelhos de TV de tela fina fabricados no país sejam equipados com o Ginga, o software que garante a interatividade na transmissão da TV digital.
Ontem, representantes de dez indústrias reunidos na sede da Eletros (Associação Nacional de Produtos Eletrônicos) avaliaram a questão e chegaram a um consenso: se a opção do governo for pela inclusão do Ginga nesse prazo e nesse porcentual de produtos, atrelados ao PPB (Processo Produtivo Básico), a única alternativa será uma contestação judicial da medida.
“Não podemos vender para o consumidor um produto que não funciona”, afirma o presidente da Eletros, Lourival Kiçula. É que o teste para validar o funcionamento desse software só será concluído no dia 30 de setembro. “O Ginga ainda está rateando.”
O plano proposto pela indústria é incluir o Ginga em 10% das TVs conectadas, com acesso à internet, a partir de outubro, subir esse índice para 50% em janeiro de 2013 e atingir 95% em 2014, o ano da Copa do Mundo. A proposta do governo, segundo a Eletros, seria incluir 30% do Ginga em todas as TVs de tela fina em julho, ampliar esse índice para 60% em 2013 e atingir a 90% em 2014. Só que de todas as TVs.
Se a medida do governo sair dessa forma, o plano da inclusão do Ginga seria antecipado em 90 dias e para um espectro maior de produtos. No ano passado, a fatia das TVs conectadas no total produzido foi de 20%. A expectativa é de que a TV conectada tenha participação de 80% da produção de aparelhos em 2014.
Segundo Kiçula, metade das indústrias não se preparou para a adoção do Ginga porque entendeu que, pela norma 15.606 da ABNT (Associação ação Brasileira de Normas Técnicas), que trata sobre a TV digital e foi acordada no âmbito do Fórum da TV Digital, o software seria opcional tanto para os aparelhos como para os transmissores do sinal digital. Participam desse Fórum indústrias, governo, emissoras de TV e idealizadores do software

Fator de risco

Outro fator de risco apontado pelos fabricantes para implantação antecipada do Ginga é o fato de hoje menos da metade dos domicílios do país receberem o sinal digital.
Nas contas da Eletros, a inclusão do Ginga nos aparelhos encareceria o preço das TVs para o consumidor em R$ 180. Além de pagar mais, ele correria o risco de não ver a interatividade funcionar. A interatividade, por exemplo, seria o consumidor, enquanto ver TV, poder ter acesso ao saldo bancário e até comprar a roupa que atriz da novela.
O governo, de fato, quer a implantação do Ginga o mais rápido possível. Fontes do alto escalão inclusive lembram que o processo já está muito atrasado, pois o programa de interatividade deveria funcionar desde o início das transmissões digitais. Em relação à data para o início da exigência, ainda que não esteja fechada, já há um consenso de que pelo menos 30% da produção de televisores será obrigada a incluir o Ginga.
Segundo essas fontes, um padrão único para a interatividade traz benefícios para os consumidores e para as transmissoras de TV, que não precisarão lidar com plataformas diferenciadas que cada fabricante tem desenvolvido.
“A ideia é não funcionar como no setor de videogames, no qual cada console exige um CD diferente do mesmo jogo. O Ginga é como ocorre nos aparelhos de DVD que, independentemente da marca, tocam os mesmos discos”, comparou a fonte.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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