Sem medo de encarar o drama dos haitianos, que já somam mais de 5 mil na cidade de Manaus, o governador Omar Aziz, quebrando as regras da liturgia tradicional da leitura da sua mensagem anual à Assembleia Legislativa, enfatizou a solidariedade do governo do Estado aos milhares de refugiados que continuam a desembarcar na capital e reiterou sua determinação de ajudar os haitianos em busca de moradia e emprego na capital.
Deixando de lado o protocolo, o governador não se constrangeu na tribuna da ALE-AM, na manhã de ontem, (1°), e gastou parte do seu discurso para expressar, de improviso, a sua solidariedade aos haitianos. “Eu sofri esse drama em minha própria pele”, destacou, lembrando episódio de um terremoto ocorrido no início dos anos 70 que praticamente obrigou sua família a um confinamento em uma cidade peruana. “Ficamos vivos, mas perdemos tudo o que tínhamos”, disse, justificando, dessa forma, “a solidariedade internacional de que precisam os haitianos”.
Somente depois é que o governador elencou as principais realizações do seu governo em 2011 e informou os investimentos previstos para os projetos de 2012. Os programas “Ronda nos Bairros” e “Viver Melhor” ganharam ênfase durante a fala de Omar, assim como os avanços nos campos da educação e da saúde.
Segundo o governador, o “Ronda nos bairros” terá início a partir de 15 de fevereiro com o governo disponibilizando uma estrutura formada por uma viatura, duas motos e 18 policiais para garantir a segurança em cada bairro da cidade. De acordo com Omar, o programa envolve a contratação e o treinamento de policiais, a ampliação da quantidade de Distritos Integrados de Polícia, a implantação de tecnologia, a compra de equipamentos e de novas viaturas e a reestruturação do CIOPs, transformando em centro de comando e controle.
Arena e monotrilho
Em seu discurso à ALEAM, Omar Aziz não poupou críticas à burocracia federal na liberação dos recursos para tocar as obras de construção da Arena da Amazônia, e ressaltou que o empreendimento só não foi paralisado porque o Estado assumiu a responsabilidade dos investimentos. Conforme ele, o governo estadual foi obrigado a desembolsar R$ 70 milhões para não prejudicar o andamento das obras em 2011 e evitar que o Estado fosse penalizado pela Fifa, que não abre mão do seu rigoroso calendário com relação à construção das arenas visando a Copa do Mundo de 2014. “A verdade é que 33% das obras estão prontas só com recursos estaduais, porque o BNDES custou a liberar os recursos federais”, criticou.
Além de destacar as ações do governo no setor educacional em 2011, com investimentos maciços nas escolas de tempo integral e nas atividades da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), Omar Aziz disse que a saúde avançou e poderia estar melhor se o Estado pudesse contar com a parceria federal, o que, entretanto, não aconteceu em 2011, e esclareceu que pouco adiantou a PEC 29, aprovada pelo Congresso Nacional e que fixou um piso de investimento que União, Estados e municípios devem destinar à saúde. “Se eu construísse um Caic hoje, não haveria pediatra disponível para os trabalhos”, frisou.
O governador enfatizou também o início das obras sobre o sistema monotrilho e a duplicação da estrada AM-70 (Manuel Urbano) e da avenida das Torres. Os recursos para as obras do monotrilho, que custarão pouco mais de R$ 1 bilhão, serão repassados pela CEF (Caixa Econômica Federal).
Além do projeto “Cama e Café” para Novo Airão, que o governo transformará em grande polo turístico no contexto da RMM (Região Metropolitana de Manaus), Omar elencou vários outros projetos que o governo programou para ajudar o interior do Estado em 2012, como a recriação do Icoti (Instituto de Cooperação Técnica Intermunicipal) e a construção da Cidade Universitária (novo campus para a UEA), em Iranduba, com recursos oriundos da privatização da Cigás (Companhia de Gás do Amazonas). A venda da empresa pode resultar em lucro da ordem de R$ 200 milhões. “Esses recursos serão exclusivamente aplicados na construção da Cidade Universitária”, assegurou.
Nejmi Aziz fora da política
Durante sua fala na Assembleia Legislativa, o governador Omar Aziz deixou clara sua disposição de permanecer neutro com relação às articulações políticas envolvendo o seu partido (PSD) e as demais legendas, cujos líderes começam a se movimentar de olho nas eleições municipais de outubro.
A despeito de ter declarado, em evento público ocorrido semana passada na Colônia Antônio Aleixo, que só participará da campanha eleitoral se for para apoiar a candidatura do senador Eduardo Braga à Prefeitura de Manaus, o governador destacou que a política não faz parte das suas prioridades. “Nossa prioridade não são as eleições municipais, mas a população do Estado, não há como administrar e fazer política ao mesmo tempo”, disse.
Omar também se preocupou em desfazer boatos que tomam conta dos bastidores da política insinuando possível candidatura da primeira-dama do Estado, Nejmi Aziz, no pleito deste ano. “Nejmi Aziz não é candidata a nada”, pontuou quase em tom de desabafo, completando: “A Nejmi é candidata somente a continuar sendo a grande companheira que tenho em família”.






