A proximidade das eleições municipais polarizou mais uma vez os discursos de vários deputados estaduais na Assembleia Legislativa. Ontem, 14, as manifestações novamente giraram em torno da questão da água e da falta de política pública para reciclar os resíduos sólidos na cidade de Manaus. No pequeno e grande expediente da sessão legislativa os deputados Marcelo Ramos (PSB) e Marco Antônio Chico Preto (PSD), concorrentes na batalha eleitoral, atacaram, respectivamente, o Proama (Programa Águas para Manaus ) e o problema dos resíduos.
Marcelo Ramos destacou o Termo de Compromisso firmado em 2008 entre o governo do Estado e a Prefeitura de Manaus para solucionar a crise do abastecimento de água das zonas norte e leste, e acusou o Proama de permanecer inerte, sem apresentar resultados positivos à população. Segundo ele, as obras referentes ao programa estadual foram dadas como concluídas, “mas quando fizeram os testes de operação surgiram vazamentos tanto na estação de tratamento quanto nos reservatórios”.
Os testes, de acordo com Ramos, foram paralisados e os decantadores da estação de tratamento agora estão sendo impermeabilizados. Ele garante que não foram efetivadas as interligações do Proama com o sistema administrado pela empresa Águas do Amazonas. “Sem as interligações o sistema não funciona, são necessárias bombas nas elevatórias, colocação de registros e anéis de reforço, o que resume um custo de R$ 18 milhões”, assegura.
O deputado Chico Preto, por sua vez, contestou Ramos e garantiu que o problema da falta de água em Manaus está próximo do fim. Voltou a dizer que a ALE-AM deve entrar em juízo contra a Águas do Amazonas, com pedido de antecipação de tutela, porque as metas repactuadas com a Prefeitura de Manaus não foram cumpridas e porque o Proama será testado na próxima semana e deve atender a 500 mil consumidores.
Na avaliação de Chico Preto, o Proama poderá solucionar, na prática, o imbróglio político acerca da distribuição de água em Manaus, a partir da nova tomada na zona leste da capital.
Ele explicou que com essa Ação Civil Pública que será impetrada pela ALE-AM, o debate sobre a falta de água estará terminado. “Aí poderemos dizer ao povo das zonas norte e leste que o debate está concluso e que a água vai jorrar das torneiras imediatamente”, destacou.
Omissão
Chico Preto explicou que o Proama não está pronto, mas já está entrando em testes para produzir água e colocar na rede de distribuição da Águas do Amazonas. Ele disse que “o Proama não tem nada com a repactuação celebrada com a prefeitura, uma vez que a Águas do Amazonas afirmou que não tinha condições de cumprir as metas do contrato assinado quando da compra do governo do Estado”.
Para ele, o deputado Marcelo Ramos comete equívoco ao comparar os resultados da repactuação assinada em 2008 com o Proama. “As comparações são grosseiras, é como comparar carburador com caixa de marcha ou voleibol com futebol”, protestou, sem deixar de alfinetar a Prefeitura de Manaus por sua omissão em relação aos resíduos sólidos. Segundo ele, o problema é grave e mostra a omissão do Poder Público Municipal em um momento em que a capital do Estado se organiza para recepcionar jogos da Copa do Mundo de 2014. “O próprio Aterro Municipal não faz mais sentido, já é algo superado e nenhuma providência é tomada, mas precisamos nos modernizar a avançar pois os problemas se avolumam a cada dia”, completa.







