Quanto custa produzir um bom livro?

Em: 12 de março de 2012
Editar um livro qualquer, esse objeto de difusão cultural e informativa de um determinado autor, é um processo que requer etapas de preparação, e que envolve diversos segmentos de uma indústria gráfica e editorial com custos operacionais também diversos
Editar um livro qualquer, esse objeto de difusão cultural e informativa de um determinado autor, é um processo que requer etapas de preparação, e que envolve diversos segmentos de uma indústria gráfica e editorial com custos operacionais também diversos

Editar um livro qualquer, esse objeto de difusão cultural e informativa de um determinado autor, é um processo que requer etapas de preparação, e que envolve diversos segmentos de uma indústria gráfica e editorial com custos operacionais também diversos, e que acabam por determinar o preço de capa final. Desde a seleção e preparação dos originais, passando pelo projeto visual em si, etapas de diagramação e produção, até a impressão final, o livro percorre um extenso caminho de incorporação de custos e qualidade à sua produção. “O processo de produção de um livro se divide em duas etapas: a primeira é a chamada pré-impressão, que compreende o trabalho de editoração inicial, e que trabalha o projeto gráfico, de design até o importante registro da obra, em busca do ISBN, na Biblioteca Nacional”, explica Tenório Telles, o coordenador editorial da livraria e editora Valer, uma das editoras mais conhecidas e solicitadas de Manaus. O custo dessa primeira etapa gira em torno de R$ 5 mil para o autor, completou Tenório.
Como segunda etapa do processo de se editar um livro vem a chamada impressão, explicou ainda o coordenador da Valer. Uma etapa que envolve custos da gráfica e de acompanhamento gráfico, e no caso de livro editado em outro Estado, se inclui também o preço do frete. Mas a quantidade de páginas de um livro é algo que também dever ser levado em consideração nesse processo todo, pois o custo de produção nessa etapa é proporcional à tiragem e ao número de páginas. “A impressão para um livro padrão de 200 páginas em uma tiragem de mil exemplares, por exemplo, não sai por menos de R$ 6 mil”, salientou Tenório. Até aqui o autor desembolsou, para ver o seu livro editado, R$ 11 mil, não levando em consideração outros custos que podem ser agregados no meio do caminho da edição final. Quanto à comercialização desse livro para o autor, nós procuramos negociar, facilitando a forma de pagamento em parcelas. “Mas existem casos em que a editora, ou assume integralmente o custo total da obra do autor; pagando os seus direitos; ou faz parcerias com algumas instituições, que acabam por pagar todo o processo de edição de seus autores”, assinalou Tenório.

A importância da revisão

É claro e notório que as editoras em geral visam o lucro de seus serviços. E como todo livro é um produto, ele necessariamente deve ser bem feito antes de ser levado ao público consumidor. Pelo menos nas mãos de uma editora especializada que se preze isso deve ser uma verdade. Um livro é sempre o resultado de um trabalho em equipe, e essas pessoas envolvidas diretamente na sua produção, tem a importância na apresentação final do produto. Como no caso da revisão, um trabalho de importância vital. Independentemente do processo editorial pelo qual o livro passa, os olhos criteriosos de um revisor são fundamentais, para que esse produto, cultural e informativo, não saia da linha de montagem com defeito. Basicamente, esse revisor trabalhará com dois tipos de textos: os traduzidos e os não traduzidos, sejam romances, poesias ou de área especializada. “É um trabalho pesado e que deve ser extremamente criterioso”, diz Kellython Alves, revisor especializado da Valer, formado em Letras. “Às vezes, a obra não vem adequada”, explica. Sem levar em consideração o novo acordo ortográfico, com erros de português, grafias e prosódias. “Esse é o momento quando o revisor interfere, sugerindo até mudanças necessárias ao autor”, ressalta Kellython, que revisa cerca de cem páginas/dia, e de duas a três obras por semana dentro do horário comercial de trabalho na editora. Com um corpo de revisores composto por cinco pessoas e cada livro passando por, no mínimo, três revisões antes de ir para a impressão, a editora Valer investe nessa etapa como um verdadeiro controle de qualidade para o produto final sair adequadamente. “Apesar de cansativo, chega a ser prazeroso e quase natural, esse trabalho de revisão”, conclui Kellython. “Mas a nossa grande dificuldade aqui em Manaus, não é tanto imprimir o livro com um acabamento inicial e final de qualidade, mas sim comercializá-lo em um mercado muito pequeno, que não absorve o conjunto da produção editorial”, observa o coordenador editorial Tenório Telles. “O livro vende um pouco no dia do lançamento, porém, depois disso, corre o risco de ficar exposto e esquecido nas estantes da livraria”, finalizou Telles.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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