A expectativa de a China -principal vilã da competitividade da indústria brasileira-, mudar de foco para atender o mercado interno nos próximos anos deve representar um ‘alívio’ para o modelo ZFM. Segundo representantes da indústria ouvidos pelo Jornal do Commercio, a mudança de direção da China será crucial para amenizar o ataque dos importados sofrido pelo PIM.
Os números do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior) apontam para um crescimento alarmante da entrada de produtos vindos da China nos últimos dez anos. Só no primeiro bimestre deste ano foram gastos US$ 739,7 milhões, montante que já supera em 123% os gastos referentes à 2002, quando durante o ano inteiro foram importados o equivalente a US$ 331,27 milhões. Ainda segundo números do ministério, entre 2002 e 2011 -ano em que as importações da China somaram US$ 4,18 bilhões-, o crescimento foi superior a 1000%.
O presidente do Corecon –AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailson Rezende, explica que tanto o governo federal quanto os empresários da indústria esperam que, a médio prazo, a indústria chinesa comece a ter que atender uma demanda reprimida de uma nova classe consumidora. “É um processo em andamento. E para atender esse enorme contingente populacional a China terá que mudar de estratégia, o que por consequência, pode nos beneficiar”, conta.
A boa notícia, segundo o presidente do Sinaees (Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares), Celso Piacentini, é que com o mercado interno crescendo e os chineses criando novos hábitos de consumo, a China não terá produção de sobra para exportar como acontece atualmente, “o que aliviaria não só as indústrias do PIM como a indústria brasileira de forma geral da invasão dos importados”, avaliou.
Exportações
Em contrapartida, as exportações não sentirão o mesmo benefício na avaliação de Ailson Rezende. “O governo espera que voltado para a demanda interna, a China precise importar produtos manufaturados e criou-e a expectativa de que o Brasil pudesse aumentar as exportações para o país”, explanou.
Isso porque, segundo ele, o PIM não tem força na fabricação de produtos de linha branca –fogão, geladeira, microondas etc. “Além disso, os nossos ‘carros-chefes’ (eletroeletrônicos e motocicletas) são produtos fabricados em grande número na Ásia. Então, acredito que a diferença será inexpressiva”, enfatizou
Para o analista econômico da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Gilmar Freitas, o problema das exportações não é a postura chinesa de mercado e sim a nossa competitividade. “Tem a ver conosco, com problemas internos nossos relacionados a dois pontos principais: alta carga tributária e infraestrutura de transporte. Não podemos esperar por mudanças de posturas de governos como o chinês, porque nosso problema não se limita à China”, criticou.






