Construir no Amazonas está 5,14% mais caro segundo o INCC (Índice Nacional da Construção Civil) divulgado no último dia 6, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em maio, o custo médio do metro quadrado foi de R$ 855,84, enquanto no mesmo período do ano passado, o valor era de R$ 814.
Na comparação com abril, a elevação foi de apenas 0,66% quando construir custava R$ 830,28/m2. Entre janeiro e maio deste ano, o índice já acumula alta de 0,97%. Dessa forma, o Amazonas segue como o sétimo estado mais caro para se construir no país e o quarto maior custo da região Norte.
Para o superintendente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Cláudio Guenka, o aumento já era esperado e decorre principalmente do reajuste nos preços dos materiais de construção.
A enchente recorde do rio Negro este ano, pode ser apontada como um dos principais fatores para os reajustes. “A subida das águas já interferiu na atividade do setor, especialmente no cumprimento de prazos, pois dificultou o transporte dos insumos e materiais de construção”, disse.
Segundo ele, a alteração no preço de insumos para a fabricação de materiais como telhas e tijolos deve afetar o custo médio do setor nos próximos meses. “Mas por enquanto, os maiores efeitos sobre o custo ainda não puderam ser sentidos”, alertou.
Guenka confirmou ainda o impacto da alteração no preço do descarte de resíduos sólidos no custo médio da construção civil. Segundo o Sinduscon-AM, os custos com o descarte cresceram quase 400% entre abril e maio deste ano. Desde o dia 23 de abril, o preço de uma caçamba para o recolhimento e descarte dos resíduos das obras saltou de R$ 70 para R$ 240.
“O valor com o serviço mais que dobrou. Apesar de não podermos projetar, sabemos que o índice sofrerá alteração. Os números da pesquisa de junho provavelmente já devam mostrar o tamanho do impacto”, afirmou o superintendente.
Em coletiva realizada no mês passado, o diretor da CII (Comissão da Indústria Imobiliária) do sindicato, Newton Veras, declarou que o decreto – portaria nº 011/2012 da Semulsp (Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos) impede as construtoras de despejarem os resíduos sólidos no aterro sanitário e que atualmente, apenas uma empresa em Manaus está autorizada a receber os resíduos. Conforme afirmou, sem concorrência, não há controle nos preços cobrados.
Materiais
De acordo com os dados do IBGE, os maiores aumentos de insumos foram verificados nos pontaletes de madeira (20%), na telha cerâmica, na válvula de descarga e na barra de aço, os três últimos com alta de 11%.
Para o disseminador de informações do órgão no Amazonas, Adjalma Nogueira, a tendência é de falta de insumos derivados de vegetal, com a subida das águas e o alto consumo de madeira.
Em maio, produtos cerâmicos como a telha de barro e o tijolo já registraram alta de 11,1% e 5%, respectivamente. Para o analista, mais aumentos devem ocorrer nos próximos meses.
Em contrapartida, materiais como banca de mármore (-19%), lona plástica (-7,9%) e selador pva (-4,1%) sofreram as maiores reduções nos preços em maio.
“Com exceção dos produtos regionais afetados pela sazonalidade das águas, todas as variações e preços são considerados normais para o período”, avaliou.
Já o custo com a mão de obra do segmento não sofreu alteração. Para Claudio Guenka, a rubrica só deve afetar os preços entre julho e agosto, quando são fechados os acordos de aumento de salários.







