O setor oleiro foi um dos segmentos que mais amargaram prejuízos com a cheia histórica do rio Negro. De acordo com o Sindicato da Indústria de Olaria do Amazonas, os danos ultrapassam a marca de R$ 7 milhões e representam 30% a menos no faturamento do primeiro semestre.
A produção de tijolos está concentrada nos municípios de Iranduba e Manacapuru, onde quase 6 mil funcionários se dividem entre as 40 fábricas da região. A presidente do Sindicato das Olarias, Hyrlene Batalha Ferreira, conta que as perdas ainda não foram contabilizadas em sua totalidade e que o valor pode chegar a R$ 10,4 milhões.
De acordo com a representante, a estratégia adotada pela maioria dos empresários foi conceder férias coletivas para aproximadamente 20% da equipe. “As águas invadiram os galpões e 50% da linha de produção precisou parar”, explica.
As demissões também aconteceram. No entanto, Ferreira diz que os empresários se comprometeram em readmitir os colaboradores assim que as atividades fossem normalizadas. “Um dos problemas da classe é contratar mão de obra qualificada. Assim que os fornos voltarem a funcionar, esses funcionários devem retomar seus postos”, torce.
Invasão das águas
Assim como agricultores e pecuaristas do interior do Estado tiveram seus investimentos tomados pelas águas, as indústrias oleiras também contabilizaram perdas que vão além do produto final. Construídas às margens do rio e igarapés, empresários e funcionários assistiram a invasão das águas que, além de destruirem parte do estoque de tijolos, comprometeu equipamentos como os fornos utilizados na fabricação.
Até agora, algumas empresas não voltaram a funcionar. “Os galpões precisaram de reforma e os fornos foram submetidos à manutenção”, explica o presidente da Aceram (Associação de Ceramistas do Estado do Amazonas), Frank Lopes.
Quanto custa
Baseado em dados cedidos pelo sindicato da classe, o milheiro de tijolo chegou a custar R$ 350 em maio – auge da crise. Este valor representa 8,5% a menos do que o preço aplicado em uma temporada normal (R$ 380). O volume da produção ao mês é de 18 milhões. No entanto, 30% desse montante foi perdido no final do primeiro semestre devido à enchente.






