O início do período de vazante do rio Negro não ajudou a trazer o consumidor de volta para o centro comercial de Manaus, espantado pela enchente recorde deste ano. Mesmo sem detalhar os números, a ACA (Associação Comercial do Amazonas) estima que o movimento atual não chegue nem à metade do registrado para o período nos últimos dois anos.
A expectativa, segundo o presidente da entidade, Ismael Bicharra, era de que após a enchente, o consumidor voltasse a circular e realizar suas compras no Centro, o que não ocorreu. “Ele ainda tem receio de voltar para aquelas áreas mais alagadas. Não sabe se é seguro, se a limpeza já foi concluída, se há riscos com buracos, estrutura das próprias lojas, por exemplo. O movimento já caiu mais de 50%”, afirmou.
A situação é agravada pela desativação total do Terminal da Matriz, na manhã da última quarta-feira (20). A enchente teria causado fissuras e afetado várias galerias antigas construídas no subsolo do local, impedindo a passagem de veículos pesados
Com a interdição, vários comércios dos arredores do terminal perderam o público. “Isso porque o consumidor mudou o seu percurso. Por isso precisamos discutir alternativas urgentes. Não é objetivo de ninguém prejudicar a atividade comercial”, defendeu Bicharra.
Para compensar a perda, o vice-presidente da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, lembra que uma feira de artesanatos foi cogitada para atrair o público de volta, “mas essa ação demanda tempo para execução da obra. A dificuldade de acesso precisa de alternativas mais imediatas”, cobrou.
Perdas
Apesar de, no período das cheias, varejistas e feirantes terem projetado perdas de 70% sobre o faturamento convencional, Ismael Bicharra diz que ainda não é possível calcular os prejuízos com exatidão.
“A vazante iniciou, mas as águas seguem descendo pelos próximos dois meses. Só após esse prazo é que poderemos concluir o cálculo”, informou. Há três anos, as perdas somaram aproximadamente R$ 380 milhões.
Ele argumenta que além do impacto na receita das lojas, gastos com pessoal, limpeza das lojas, reconstituição da parte elétrica dos estabelecimentos, entre outros custos precisam ser somados a essa conta.
Estratégias e alternativas
Quanto ao que os lojistas devem fazer nesse período de recessão, o presidente da ACA diz que a estratégia de realizar promoções pode não ser suficiente. “Mesmo que os lojistas invistam em promoções, talvez o resultado obtido seja tímido. O custo pode não compensar. O que ele – o empresário – pode fazer é limpar sua loja, verificar a estrutura física, e infelizmente, aguardar”, lamentou.
Aderson Frota acrescentou que um tratamento tributário diferenciado não só para os lojistas atingidos pela enchente como para os localizados próximos ao Terminal da Matriz seja necessário para auxiliar na manutenção dos empregos e do funcionamento dos negócios.
“Vale lembrar que além do processo de limpeza pública, as obras e recuperação ainda vão puxar um ‘engessamento’ maior das vendas nas próximas semanas”, projetou.
Ismael Bicharra informou que os representantes do segmento estão em contato com a prefeitura e com as autoridades portuárias em busca de alternativas. “Uma das propostas é daqui a dois meses fazer um evento para trazer o público de volta. Mostrar pra ele que a enchente passou”.
Ele disse ainda que a classe pretende apresentar um plano emergencial a ser utilizado nas enchentes dos próximos anos com o objetivo de minimizar os impactos”.







