As eleições municipais deste ano parecem quebrar uma antiga tradição da política local: a polarização do pleito. Se antes a disputa se resumia a dois candidatos com chances reais, o cenário para 2012 começa a se desenhar com muitos nomes de peso da política local em oposição a candidatos jovens e proposta de renovação.
Até agora, na última semana para formar alianças e lançar candidatos, seis nomes já estão confirmados: o vereador Hissa Abrahão (PPS), o ex-senador Artur Virgílio Neto (PSDB), o deputado federal Pauderney Avelino (DEM), o ex-prefeito Serafim Corrêa (PSB), o engenheiro Jerônimo Maranhão (PMN) e o funcionário público Herbert Amazonas (PSTU). Este número de postulantes, porém, poderá chegar a nove. Além dos nomes já confirmados, a deputada federal Rebeca Garcia (PP) afirma que mantém a candidatura dela independente de apoio da base do governo Omar Aziz (PSD). Uma possível candidatura do senador Eduardo Braga (PMDB) e a indicação de um nome pelo prefeito Amazonino Mendes (PDT) – ou até mesmo a própria candidatura do prefeito – também são cogitadas.
Mas, de acordo com o cientista político Breno Rodrigo de Messias, uma eleição com uma grande quantidade de candidatos disputando o mesmo cargo, apesar de oferecer mais opções ao eleitorado pode também apresentar um efeito negativo: “Quanto maior o número de jogadores, portanto de candidatos, maior a margem de eleitores indecisos. A imprevisibilidade, a desinformação e a fragmentação partidária, fortalecem, portanto, a tendência à indecisão do eleitorado”, explica.
Ele acrescenta que, caso se confirme este cenário, os candidatos terão muito trabalho para conquistar os indecisos. Entre as armas disponíveis aos pretensos prefeitos a propaganda eleitoral, corpo a corpo nas ruas e busca de apoio de lideranças políticas não podem ser descartadas. Ainda de acordo com o cientista, as alianças políticas terão um papel fundamental principalmente no segundo turno – que já é tido como certo, visto que o grande número de opções deverá fragmentar o eleitorado.
“Este tipo de eleição, com grande número de competidores – caso este cenário se confirme de fato – posso dizer que os candidatos derrotados no primeiro turno vão negociar caro um possível apoio no segundo turno. Na verdade, não há um único fator preponderante pesando na decisão do eleitor. A decisão do voto se formula num cenário de múltiplas arenas, meios e redes. O cenário possível, pensado pelos estrategistas das campanhas, é trabalhar com todas as variáveis listadas, afinal de contas todas são fundamentais e têm seu valor no processo político”, garante o cientista.
Prefeito seria beneficiado
Breno explica ainda que, pelas características do eleitor brasileiro, em um cenário de indecisão, quem leva vantagem é quem está no poder e avalia como boas as chances do atual administrador da cidade. “O eleitor brasileiro tende a ser conservador e é pouco afeito a mudanças. Na dúvida, o eleitorado opta pelo status quo. Um prefeito que faz uma gestão razoável, com obras públicas de impacto e exposição, mantém suas margens de rejeição controladas e captura aliados em diversos setores da sociedade, tem todas as condições necessárias de se reeleger”.
‘Midiáticos’ descartados
Entre os muitos nomes cogitados na eleição deste ano estão aqueles que contam com um palanque eletrônico: a televisão. Marcos Rotta (PMDB), Sabino e Reizo Castelo Branco (PTB), Henrique Oliveira (PR), Rebecca Garcia (PP) e Mirtes Sales (PPL) fazem parte deste grupo. Na opinião de Breno Rodrigo esses candidatos terão a importância que lhes cabe enquanto lideranças de alta projeção midiática. Com exceção de Rebecca Garcia – que esta ligada à TV, mas sem apresentar programa – suas candidaturas não se fortalecem nas eleições majoritárias – prefeito, governador, senador –, onde o perfil de competição é desconcentrado. “Certamente, a candidata mais competitiva é Rebecca Garcia, pois conta com amplo recurso financeiro, controle partidário e visibilidade do mandato de deputada federal. Esta, sim, seria uma candidata que poderia surpreender na conquista de muitos votos”, diz acreditar o cientista.







