A polêmica questão da redução da maioridade penal tomou conta da sessão plenária de ontem (8) da Assembleia Legislativa. O deputado estadual Marcos Rotta (PMDB) puxou o cordão dos discursos em que diversos parlamentares se manifestaram indignados com o aumento do índice de crimes cometidos em Manaus com o envolvimento de crianças e adolescentes.
De acordo com Rotta, a situação é preocupante e pode se agravar por conta da fragilidade da legislação que é branda demais e protege o “pequeno infrator”. “O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é um dos mais modernos do mundo, mas deixa brechas para que maus elementos se defendam e não paguem por seus erros”, comentou o parlamentar ao acrescentar que adolescentes são usados como “escudo” para criminosos perigosos.
“Meninos ou meninas assumem a autoria de crimes que não são deles. Como são menores de idade, não são penalizados. Resultado, eles voltam para a delinquência e o verdadeiro criminoso segue em liberdade e continua usando o adolescente como ‘escudo’ ”, protestou Rotta, com a solidariedade dos deputados Belarmino Lins (PMDB), Marcelo Ramos (PSB), José Ricardo (PT), Conceição Sampaio (PP), Cabo Maciel (PR) e Fausto Souza (PSD), que repudiaram a onda de violência em Manaus. “Apesar de tudo, devemos ressaltar o programa Ronda no Bairro, com que o governo do Estado já diminuiu a estatística dos crimes e pode melhorar ainda mais a segurança com o aumento do efetivo da PM passando de 10 mil para 15 mil policiais”, disse Belarmino.
Marcos Rotta afirmou não ser a favor da redução da imputabilidade criminal, no entanto, disse ter a convicção de que, independentemente da idade, o infrator tem de ser responsabilizado por seus atos. Concordando com Rotta, o líder do PSB na Aleam, Marcelo Ramos, disse que o Estatuto da Criança e do Adolescente nunca foi praticado no Brasil e, por isso, “não se sabe se é bom ou ruim”.
Investimentos
Para Ramos, o alto índice de criminalidade no Amazonas, lamentavelmente, ocorre por causa da omissão do Estado em relação ao Estatuto da Criança e do Adolescente. E, o que é pior, aponta ele, o Centro Sócio-Educativo Dagmar Feitosa não cumpre seus objetivos e está hoje no mesmo nível da Penitenciária Raimundo Vidal e o Puraquecuara. “O Dagmar Feitosa está no mesmo nível da Raimundo Vidal e do Puraquecuara, crianças em condições insalubres, sem nenhuma atividade de esporte e lazer para ocupar o seu tempo, o menor entra lá por conta de um furto e sai marginalizado porque lá foi agredido e violentado, não teve acesso ao livro nem a cultura. Lá é pior que numa cadeia”, criticou.
Embora reconhecendo a importância do programa Ronda no Bairro, os deputados defendem maiores investimentos em segurança pública, mas destacaram que somente por meio de parcerias com a Prefeitura de Manaus e o governo federal será possível combater com efetividade a criminalidade e o tráfico de drogas.
Redução da maioridade penal agita sessão na Aleam
Em: 9 de agosto de 2012
A polêmica questão da redução da maioridade penal tomou conta da sessão plenária de ontem (8) da Assembleia Legislativa
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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