A menos de duas semanas para o fim da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre veículos novos, autorizado em junho pelo governo federal, empresários das concessionárias de Manaus temem pelo fim da ‘trégua’ e calculam queda de 50% nas vendas já em setembro.
No início deste mês o ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou o vencimento da medida para o dia 31 de agosto e sinalizou que não iria prorrogar o benefício.
O gerente de vendas da Garcia Veículos, Edilson Brito, por exemplo, mesmo sem ter os números fechados de agosto, diz que a saída de veículos está em um ritmo positivo. “Bem melhor do que no início do ano quando os pátios estavam lotados”, comentou.
“Mas, sem a medida, voltaremos à estaca zero porque a concessão de crédito pelos bancos continua difícil e com o produto voltando ao valor que era vendido antes. Nossa estimativa é de que as vendas caiam pela metade”, lamentou.
Ele conta que a concessionária já avalia estratégias junto à montadora para iniciar promoções a partir de setembro “e uma campanha está sendo preparada para chamar os clientes até o dia 31 para adquirirem seu carro zero ainda com o IPI reduzido”, complementou.
No entanto, o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra, diz não acreditar que a medida do governo federal será finalizada agora.
“Estamos presenciando queda constante no PIB (Produto Interno Bruto), uma estagnação econômica causada pelo período eleitoral e por um processo de desindustrialização de grande parte das fábricas brasileiras. No caso do PIM, a produção e venda de motos ainda passa por grandes dificuldades. A única indústria forte atualmente no Brasil é a automobilística, por isso não acho que será interessante para o governo cancelar o benefício neste momento”, avaliou.
Ele lembra que com a liberação do IPI, de 4 mil a 7 mil automóveis novos foram vendidos todos os meses no país inteiro. “Se o benefício for cortado agora o aumento no preço do veículo será inevitável, por isso, nossa aposta é de continuação do IPI reduzido e de um segundo semestre forte para as concessionárias”, constatou.
O vice-presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Júnior, concorda que caso a redução não seja prorrogada, a queda será brutal, mas também confia no bom senso do governo federal.
“Existe uma forte pressão por parte do empresariado e dos sindicatos do segmento nesse sentido. Além disso, a medida precisa de mais tempo para surtir o efeito necessário que é o de fazer os bancos diminuírem o rigor de liberação de crédito, o que ainda não ocorreu”, detalhou.
Segundo ele, as famílias seguem endividadas e o índice de inadimplência ainda é alto o que não proporciona tranquilidade às financeiras para amenizar as medidas de restrição ao crédito. Por enquanto, os bancos seguem exigindo entradas de até 30% do valor do automóvel e o cliente ainda precisa de um histórico impecável de bom pagador.
Mudança de rota
As empresas saíram de uma queda de 4,8%, de janeiro a maio, para um aumento das vendas de 1,5%, no acumulado do ano até julho.
A venda de automóveis no Amazonas (incluindo comerciais leves) saiu de uma queda de 16,19% no acumulado de janeiro a maio desse ano para uma recuperação gradual a partir de junho, quando a medida entrou em vigor.
De acordo com dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), com 2.943 emplacamentos, os números subiram 10,85% na passagem de maio para junho e 11,42% de junho para julho, mês em que 3,279 automóveis foram emplacados.
Ainda com a redução do IPI, as concessionárias amazonenses acumulam queda de 12,34% no acumulado entre janeiro e julho deste ano (dados mais recentes da Fenabrave). Foram vendidos 18.119 unidades no período contra 20.670 de igual período do ano passado.







