Religião como diferencial na política e urnas

Em: 24 de setembro de 2012
As eleições deste ano tornaram evidente, pelo menos, um fator que antes era parcialmente oculto: o poder das igrejas
As eleições deste ano tornaram evidente, pelo menos, um fator que antes era parcialmente oculto: o poder das igrejas

As eleições deste ano tornaram evidente, pelo menos, um fator que antes era parcialmente oculto: o poder das igrejas. Em Manaus, pôde-se observar a guerra entre partidos e candidatos na disputa pelo apoio dos evangélicos. Em São Paulo, por incrível que pareça, um bispo da Igreja Universal é o grande favorito a vencer a disputa pela prefeitura da maior cidade do Brasil. Este poder que antes era respeitado, mas pouco utilizado na prática, agora é o fator determinante das eleições deste ano.
No Brasil as igrejas possuem benefícios fiscais por parte do governo que são oriundos de recursos públicos, oriundo dos impostos e taxas cobrados do povo e das instituições privadas com fins lucrativos, desta forma o problema está em misturar púlpito e palanque nas eleições, esclareceu o cientista político e professor da PUC-Rio, César Romero Jacob. Por outro lado, ele não vê problema em vários segmentos da sociedade participarem do palanque e por decisão nas urnas também tê-los nos parlamentos.
Ele defende que algumas igrejas com posição homofóbica assim como os grupos do movimento gay tenham garantidos os seus direitos no parlamento.
As igrejas conquistaram o direito de divulgação de sua confissão de fé com concessões públicas para programação religiosa em emissoras de canal aberto no rádio e na televisão. No caso de apoiar candidatos nas campanhas eleitorais, ocorrerá uma distorção na utilização dos veículos de comunicação que são oriundos dessas concessões públicas, alertou Jacob.
“A questão está em misturar o púlpito com o palanque, porque afinal de contas a igreja é beneficiária de recursos públicos, se os recursos são públicos vale o mesmo princípio que vale para rádio e televisão (emissoras) que são concessões”, afirmou Jacob.
Em São Paulo, considerada capital financeira e intelectual, a cidade onde os eleitores são mais politizados (supostamente) devido à quantidade expressiva de informações econômicas, sociais, políticas, culturais etc., e que estão (tecnicamente) ao alcance de todos os paulistanos, a manchete dos jornais, na semana passada foi, “Igreja Católica ataca Universal e chefe da campanha de Russomanno”. No artigo, o presidente do PRB vincula a Igreja Católica à proposta de distribuição do ressuscitado kit gay. “A três semanas da eleição, a Igreja Católica fez, no último dia 13, um duro ataque à campanha de Celso Russomanno e à Igreja Universal do Reino de Deus, insinuando que eventual vitória do candidato do PRB representa uma ameaça à democracia”, por Daniela Lima, na Folha de S.Paulo. O assunto rendeu, foi alvo de discussões em vários veículos de comunicação, inclusive nas mídias digitais.
Setembro é o mês de comemoração da Bíblia pelos cristãos, Manaus -a capital do mormaço, dá exemplo de boa vizinhança e respeito entre os religiosos, que falam do assunto religião e eleições com sutileza e benevolência para com os candidatos, eleitores e parlamentares. “O cristão é chamado a votar. Isso é até uma questão de amor e de caridade. A igreja não indica este ou aquele candidato. Indica para escolher entre os bons, o melhor”, disse padre Bento, pároco da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, localizada no Centro Histórico de Manaus, que aguarda por uma revitalização. O pároco fala com respeito ao confirmar que a Igreja Católica reconhece o batismo celebrado pela igreja evangélica, por trata-se de aceitação a Cristo, o filho de Deus na forma humana, como seus semelhantes, e que os representantes eleitos pelo povo têm a oportunidade de dirigir sua cidade com dignidade e amor acima de qualquer coisa.
A maturidade da igreja e o espírito de profecia registrado na Bíblia apontam para um só caminho, uma só fé, o mesmo espírito, afirmou o candidato do PMDB à reeleição, vereador e apóstolo do Ministério Internacional da Restauração, Marcel Alexandre. “Eu reconheço que a base primitiva e cristã está na Igreja Católica, então reconhecer o batismo é receber o sinal do nosso novo mundo. O batismo é fundamental porque o batismo é o testemunho é o sinal do novo nascimento”.
Marcel Alexandre manifestou seu desejo de resolver os problemas da cidade, mas que esta prerrogativa caberá ao prefeito eleito, ao ser indagado pelo JC sobre a possível candidatura para prefeito em 2016, ele sorriu e disse ser uma profecia que gostaria de ver confirmada. Já padre Bento acredita que o representante religioso deve manter-se nesta condição para não perder o foco de sua missão na terra de propagar a palavra do Senhor, aproveitou para dar bênções aos candidatos e eleitores com as palavras, “Que Deus abençoe as pessoas que têm amor no coração e que praticam o bem ao próximo como a si mesmos”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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