O gerente executivo de Política Econômica da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Flávio Castelo Branco, disse ontem que o crescimento de 4,8% no faturamento da indústria brasileira em agosto ante julho, com ajuste sazonal, foi o melhor resultado nessa base de comparação desde fevereiro de 2011.
Castelo Branco destacou ainda que a recuperação nas horas trabalhadas segue em curso -o indicador teve alta de 0,7% entre julho e agosto, com ajuste. Ele ponderou, contudo, que o aumento nas horas trabalhadas não se refletiu no indicador de UCI (Utilização da Capacidade Instalada), que se manteve inalterado em 80,9% entre julho e agosto.
As horas trabalhadas, segundo a CNI, têm sido o indicador com maior dificuldade de recuperação -ainda estão 2,1% inferiores ao patamar de agosto de 2011. “Como o indicador de horas trabalhadas está mais diretamente ligado ao ritmo produtivo, esperamos que haja uma recuperação no setor nos próximos meses”, afirmou.
A exemplo do que vem ocorrendo nos últimos quatro meses, o emprego se manteve praticamente estável, com variação de 0,1% entre julho e agosto, com ajuste sazonal. Já os indicadores ligados à remuneração do trabalhador apresentaram crescimento -com ajuste, a massa salarial subiu 4,6%, e o rendimento médio real teve alta de 5,6% na comparação com agosto de 2011.
“Os dados corroboram a expectativa de reação que já tínhamos antecipado para a indústria desde a mudança do ambiente macroeconômico doméstico”, afirmou Castelo Branco, citando a desvalorização do câmbio e os juros mais baixos como fatores favoráveis, a despeito do cenário internacional.
“Possivelmente já há alguma reação às medidas de estímulo implementadas nos últimos meses, em especial para os bens duráveis, cuja demanda já se mostra mais intensa e se reflete em um nível de produção mais forte nesses segmentos”, acrescentou.
O gerente executivo da CNI destacou que algumas das medidas anunciadas pelo governo nas últimas semanas só terão efeito na produção em 2013. Ele citou como exemplo a redução do custo da energia, o pacote de concessões de rodovias e ferrovias e a desoneração da folha de pagamento para diversos setores da economia.
O economista da CNI, Marcelo de Ávila, ressaltou, porém, que essas medidas foram capazes de influenciar a confiança do empresário da indústria, que, em setembro, já registrou uma elevação considerada intensa. Ele acredita que, nos próximos meses, a produção e o faturamento da indústria devem continuar a crescer, mas menos que em agosto.
Segundo Ávila, o mês de agosto teve forte influência do setor de veículos, pois o benefício do IPI reduzido estava prestes a acabar. Como a medida foi prorrogada até outubro, a produção de veículos voltou a arrefecer, como mostram os dados divulgados nesta quinta-feira pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). “Acreditamos que a tendência de crescimento do faturamento e da produção deve se manter neste ano e aumentar em 2013, quando o investimento começar a entrar na engrenagem do crescimento. Até agora, foi apenas consumo”, afirmou.
CNI destaca faturamento em agosto
Em: 5 de outubro de 2012
Gerente executivo da Confederação Nacional da Indústria diz que resultado foi o melhor desde fevereiro de 2011
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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