A Abeiva (Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores) afirmou ontem que as associadas à entidade ficarão, durante cinco anos, “em posição de absoluta desigualdade” frente às concorrentes que produzem e exportam veículos para o Brasil desde o México e o Mercosul, por conta do novo regime automotivo, chamado de Inovar-Auto. O governo federal, ao regulamentar o tema, estipulou cotas para importação, mas deu mais flexibilidade na cobrança adicional de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre os veículos com origem nessas duas regiões, para obedecer tratados anteriormente fechados pelo Brasil. O Inovar-Auto vai valer de 2013 a 2017.
O novo regime automotivo prevê a habilitação de importadoras no programa, desde que atendam às exigências e metas estabelecidas pelo governo, que inclui, por exemplo, níveis mínimos de eficiência energética dos produtos. A Abeiva informou que o Inovar-Auto atende parcialmente os pedidos da entidade. “A diversidade de empresas dentro da Abeiva mostra que ainda não são todas as empresas que veem vantagens com o Inovar-Auto para suas operações futuras. Para algumas empresas, o teto máximo de 4800 unidades (importadas) por ano é visto como uma ação paliativa e as demais exigências, um obstáculo de crescimento”, afirmou o presidente da Abeiva, Flavio Padovan, em nota à imprensa.
De acordo com ele, a maioria das 29 marcas associadas vai se manter na atividade de importação, “mas com atuação bastante limitada, o que é uma enorme perda para o mercado, por significar perdas irreparáveis em parâmetros tecnológicos, regras de livre comércio e competitividade de preços”. A Abeiva, entretanto, afirmou que a iniciativa de um programa que exija investimentos em pesquisa, engenharia e capacitação de fornecedores significa uma importante definição de política industrial ao polo automotivo brasileiro em direção à competitividade internacional. “Temos de reconhecer que o programa Inovar-Auto é um avanço para o País, que nunca teve uma regulamentação desse porte antes”, afirmou.
A parcela do mercado de veículos no Brasil representado pelas vendas das empresas associadas à Abeiva chegaram, em setembro, a 3,26%, bem abaixo dos 7,69% registrados no mesmo mês do ano passado. Na comparação entre os emplacamentos acumulados no ano, a parte que ficou para a Abeiva atingiu 3,85% em setembro de 2012, sobre 6,01% observados em igual período de 2011.
Vendas no país de veículos importados recuam 24,5%
As vendas de veículos importados recuaram 24,5% em setembro na comparação com agosto, informou nesta terça-feira a Abeiva. Ao todo, foram comercializados 9042 veículos no mês. Na comparação com setembro de 2011, houve uma queda de 59,9% no total de emplacamentos. O resultado levou o desempenho do acumulado do ano a uma baixa de 32,4% nas vendas, para 102.727 unidades comercializadas entre janeiro e setembro deste ano.
Na comparação de setembro com agosto, enquanto as empresas associadas à Abeiva amargaram queda de 24,5% nas vendas, o recuo registrado por todo o mercado interno -importadoras e montadoras do País -foi de 31,5%. “Mas, na comparação de iguais períodos de 2011 e 2012, enquanto os importados caíram 59,9%, o mercado nacional sustentou ligeira queda de 5,5%”, informou a entidade, por meio de nota.







