Os meninos de ontem e os de hoje

Em: 25 de outubro de 2012
Em tempos de internet, os gibis, ou revistas em quadrinhos, aparentemente perderam a vez nas mãos das crianças de hoje
Em tempos de internet, os gibis, ou revistas em quadrinhos, aparentemente perderam a vez nas mãos das crianças de hoje

Em tempos de internet, os gibis, ou revistas em quadrinhos, aparentemente perderam a vez nas mãos das crianças de hoje. Apesar da força que personagens como Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão, entre outros, criados pelo brasileiro Maurício de Souza (a Turma da Mônica teve início em 1960, com os personagens Bidu e Franjinha. De lá até hoje só cresceu e, a partir de 2008, passou a ter edições voltadas para jovens), os espaços dessas revistinhas nas bancas são bem reduzidos.
Gibi foi o título de uma revista infantil lançada no Brasil em 1939 e acabou se tornando o sinônimo de revistas em quadrinhos. Estas , surgiram a partir de suplementos encartados em jornais, primeiro no “A Nação”, com o “Suplemento Juvenil”, depois no “O Globo”, com “O Globo Juvenil”.
Em Manaus não se sabe quando os primeiros gibis chegaram, mas, de acordo com o historiador Carlos Zamith, 86, no final dos anos de 1930 já podiam ser encontrados na cidade. “Não lembro os nomes dos gibis daquela época, mas comecei a comprá-los quando tinha 12 anos, em 1938. Só eram vendidos nas livrarias Colegial, Escolar e Acadêmica, mais nessa última que era abastecida regularmente com livros que chegavam a Manaus vindos de navio. Naquela época não era comum os meninos lerem gibis porque os preços não eram pra qualquer bolso”, recordou.
Na internet, Carlos Zamith lê os jornais diariamente e mantém um blog com informações sobre a história de Manaus.
O jornalista e escritor Cláudio Amazonas, 65, sempre leu muitos gibis em sua infância. “Meu irmão mais velho, Erasmo, os comprava frequentemente e eu também os lia. Tínhamos um monte, em casa: Rocky Lane, Tarzan, Flash Gordon, Roy Rogers e muitos outros”, recordou e falou sobre a importância dos gibis para a formação dos moleques daquela época. “Tínhamos um grupo de colegas que se reunia para desenhar os personagens dos gibis. Tenho certeza que muitos daqueles meninos aprenderam a ler e escrever melhor através dos gibis”, disse.
Quanto à internet, Amazonas a utiliza para fazer pesquisas sobre os mais diversos assuntos. “É um grande instrumento, que pode ser tanto bom quanto mal, dependendo de quem a usa”.
O livreiro Celestino Neto, 50, era da turma sem muito dinheiro no bolso que lia os gibis que conseguia emprestar dos colegas de rua ou do colégio. “Lia os gibis da Disney (Mickey, Pato Donald, Zé Carioca, Tio Patinhas), Tarzan, Asterix, Lucky Luke, Mandrake, Luluzinha, Bolinha, Bolota, Riquinho e os da Turma da Mônica”. Dá para se notar a disponibilidade de títulos que eram disponibilizados para as crianças.
Quanto à internet, Celestino mantém um blog e está presente na “Estante Virtual” vendendo livros. “Mas sou péssimo. Tenho dificuldade em me adaptar às novidades que vão surgindo. Acho que estou precisando fazer uns cursos”, riu.
Augusto Queiroz tem uma banca de revistas há 20 anos nas proximidades da Praça Heliodoro Balbi (da Polícia). Ele sabe muito sobre o termômetro das vendas dos gibis e a temperatura não é nada boa. “As vendas dos gibis são muito fracas. Só caíram nesse tempo todo que tenho de experiência. Os que ainda vendem mais ou menos são os mangás. Os poucos da Disney que chegam, vêm e voltam sem vender. Os da Turma da Mônica têm alguma saída. Tenho certeza que é a internet que está ‘matando’ os gibis. Os meninos só querem saber de games”, disse.

Entre os gibis e a internet

Para comprovar as palavras de Augusto, o Jornal do Commercio ouviu alguns alunos do Instituto Denizard Rivail, na faixa etária em que os meninos de antigamente tinham os gibis como uma de suas principais diversões para saber se esse interesse mudou.
Alex da Costa Manoel Júnior Leon Denis, 12, 7ª série, gosta de ler a revista Recreio (editada de 1969 a 1981 e que retornou em 2000 com novo visual). Na internet Alex gosta de ver fotos, jogar games e se conectar ao Facebook. “Fico aproximadamente três horas navegando, distribuídas ao longo do dia”, acrescentou. Já Guilherme Pinheiro Silva da Luz, 12 anos, 7ª série, disse gostar dos clássicos da Turma da Mônica e de alguns super-heróis. “Minha preferência na internet são os jogos. Gosto de jogar tanto só quanto online, com outras pessoas. Fico conectado mais ou menos uns 30 minutos por dia”. Maria Chaves Lobo Pereira, 12 anos, 6ª série, também é fã dos gibis de Maurício de Souza. “Na internet, gosto de fazer pesquisas escolares e de jogar, mas não fico mais que 1 hora e 30 minutos ligada porque minha mãe não gosta que eu fique muito tempo na frente do computador”.
Pelas respostas, deduz-se que hoje o gibi é dividido com a internet e ainda tem seu lugar garantido, pelo menos para a turma do Maurício de Souza. No ano passado a edição 34 da Turma da Mônica Jovem vendeu 500 mil cópias num país onde vender mais de mil livros é para pouquíssimos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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