Consórcio e exportação são saídas

Em: 21 de dezembro de 2012
Suframa aposta em novas medidas de incentivo para estimular o mercado e contribuir para recuperar o segmento
Suframa aposta em novas medidas de incentivo para estimular o mercado e contribuir para recuperar o segmento

Entre as soluções para o próximo ano no setor de duas rodas, o superintendente da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), Thomaz Nogueira, disse apostar no aumento da fatia de consórcios para aquisição de motocicletas de baixa cilindrada e na intensificação da exportação do produto para a América do Sul.
A declaração foi feita na quinta-feira (20), durante o balanço de seu primeiro ano à frente da autarquia.
“Esta é uma questão de mercado que deve ser solucionada com ferramentas de mercado. O modelo de financiamento tem, na minha visão, que ter outras soluções que não o financiamento pela via bancária. Me parece claro, que aumentar o percentual da participação do consórcio é um dos caminhos mais seguros, porque ele é uma solução de mercado e diminui sensivelmente a inadimplência”, argumentou.
Ele explicou também que devido ao aquecimento do mercado brasileiro nos últimos anos e a ascensão das classes C e D, o PIM focou a demanda interna.
“Só que nós temos que trabalhar novamente as oportunidades no mercado externo. Na América do Sul se consome mais de 2 milhões de motos. Então este é o mercado que estamos buscando”, adiantou.
Apesar de um ano adverso, o superintendente garantiu que a crise do setor de duas rodas está ‘estancada’.
“O maior problema do ano, obviamente, foi a questão do polo de duas rodas, especificamente a crise de crédito para motocicletas de baixa cilindrada. Durante o ano, nós trabalhamos junto com o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), em uma série de medidas que possibilitaram o estancamento da crise, o que vai permitir uma retomada discreta dos níveis de produção já no primeiro semestre de 2013”, destacou.
Entre as medidas, ele citou o realinhamento e a elevação da alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para 35% para produtos importados.
“Desde o começo do ano tivemos problemas com a concorrência do ar-condicionado do tipo split importado e o fabricado no PIM. O mesmo ocorreu com o ciclomotor (a motocicleta abaixo de 50 cc)”, informou.
No caso das motocicletas, as alíquotas diferenciadas de IPI dependiam da cilindrada da motocicleta e eles foram todas realinhadas ‘por cima’, “o que foi bom para o Amazonas porque nós somos isentos do IPI e o fato de termos uma alíquota elevada significou mais competitividade frente ao importado”, detalhou.
Outra dificuldade enfrentada foi a ‘guerra dos portos’ resolvida a partir da adoção de uma alíquota interestadual do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) unificada de 4% para os produtos importados.
“Uma alíquota que variava entre 7% e 12% permitia que alguns Estados fizessem a importação, concedessem um favor ilegal e diminuísse o custo final. Quando se reduz a alíquota para 4% tira-se o instrumento de guerra fiscal desses estados e consequentemente aumenta a competitividade dos nossos produtos”, explicou o superintendente.
Um trabalho com o BC (Banco Central) também foi fundamental para frear a crise do setor, porque segundo Thomaz Nogueira, possibilitou isentar do compulsório os valores destinados ao financiamento de motocicletas, ou seja, diminuir o custo do financiamento inclusive para instituição bancária.
Além dessas medidas ele citou a isenção de 25% do ICMS da energia elétrica para todo o polo de duas rodas pelo governo do Amazonas e a redução de 50% da TSA (Taxa de Serviços Administrativos) devida por todo o PIM à Suframa e que representa 2% do faturamento das fábricas do polo. Na última reunião, a autarquia decidiu prorrogar a redução até o final do primeiro semestre de 2013.
Nogueira esclarece que nem todas as medidas entraram em vigor, como é o caso da unificação da alíquota do ICMS em 4% para importados que só vale a partir de 1º de janeiro de 2013.
“Mas com um cenário definido de segurança jurídica, as empresas puderam investir, gerar os empregos e manter com uma margem apertada para não perder tanto mercado. Enquanto a medida não entra em vigor, o importador faz um esforço de trazer mais produtos para mercado nacional, mas isso é temporário porque se sabe que em primeiro de janeiro, a porta fecha e a regra muda”.
Apesar dos entraves, Thomaz Nogueira avaliou o desempenho global do PIM como positivo este ano. “Nós tivemos em 2012, uma permanência de atração de investimentos, nenhuma reunião do CAS com menos de 30 projetos, com criação permanente de empregos, o que significa que os investidores nacionais e estrangeiros continuam olhando a ZFM como uma porta de entrada interessante para o mercado brasileiro”, concluiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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