É corrente entre políticos que a Câmara Municipal de Manaus é um termômetro para avaliar a situação de uma autoridade. Os vereadores são os primeiros a reverenciar ou atacar quem está em alta ou em baixa. Se essa máxima é verdadeira, o vice-governador José Melo virou a bola da vez. Ontem, durante a solenidade de leitura da mensagem do prefeito Arthur Neto, ele foi tão ou mais incensado que o dono da festa. Vários parlamentares lhe fizeram afagos. Por sinal, o próprio governador já a algum tempo vem elogiando o comportamento do vice, dando-lhe, inclusive, importantes missões.
Troca
Para completar e justificar os afagos dos edis, desde a semana passada, espalha-se a versão de que Melo pode trocar o PMDB pelo PSD para se transformar no candidato a governador apoiado pelo titular Omar Aziz, tendo a secretária Rebecca Garcia (PP) como vice. Nessa composição, o chefe do Executivo renunciaria, em março de 2014, para se candidatar ao Senado, deixando a cadeira para o vice, que disputaria a reeleição no cargo.
Reviravolta
Se a boataria se confirmar, seria uma reviravolta e tanto na vida de José Melo. Em 2002, ele foi sacado da chapa que disputaria o Governo na madrugada do dia em que ela seria homologada e acabou tendo que se conformar em disputar um mandato de deputado estadual. O beneficiado àquela altura foi o próprio Omar. Em 2010, o então governador Eduardo Braga gastou todo o prestígio pessoal para emplacá-lo como vice, em função da pressão de outros grupos. Agora, o veterano político pode disputar o Governo com o próprio senador, de quem foi todo poderoso secretário.
Viagem adiada
Alguns faros ajudam a alimentar a boataria. O governador Omar Aziz, por exemplo, adiou a viagem a São Paulo, onde vai acompanhar a evolução do estado de saúde de sua mãe, para comparecer à Câmara Municipal, ontem, levando Melo a tiracolo. Os dois mostraram entrosamento com o prefeito Arthur Neto e com o grupo que o apóia. O mesmo havia acontecido na véspera, na Assembleia Legislativa.
Bate boca
Profissionais de imprensa se recusaram a sair do plenário da Câmara ontem e acabaram batendo boca com integrantes do cerimonial e com a diretora de Comunicação da Casa, Teresa Teófilo. Com isso, a intenção do presidente Bosco Saraiva (PSDB), que quer limitar o acesso de jornalistas, ficou para o início dos trabalhos legislativos, após o Carnaval.
Libras
Quem assistiu a transmissão da solenidade pela TV Câmara notou a ausência de um tradutor para a linguagem de sinais. O profissional que fazia a tradução era contratado pela empresa Lay Out, que foi dispensada no início do ano. A Diretoria de Comunicação não cogita trazê-lo de volta, o que de certa forma exclui uma parcela da população das atividades do Legislativo. O número de profissionais operando as câmeras também foi sensivelmente reduzido. Apenas um câmeraman da Casa atuava, auxiliado pelo funcionário de um vereador. Isso se refletia no vídeo, com várias guinadas bruscas das imagens.
Nova função
Ao saudar a presença de Ari Moutinho Filho no plenário, o presidente da Câmara, Bosco Saraiva, criou uma nova categoria funcional. “Quero registrar a presença do vereador conselheiro Ari Moutinho”, disse ele, sendo corrigido em seguida pelo governador Omar Aziz, para quem o convidado não se sentiria prestigiado com a menção. Constrangido, o parlamentar fez um remendo: “Ele foi nosso colega. Uma vez vereador, sempre vereador”.
Boicote
Dirigentes das escolas de samba estão desconfiados de que a Secretaria de Cultura os estariam boicotando. Eles culpam o órgão até pelo blecaute que deixou os barracões inativos por seis longas horas na última terça-feira (5). Na realidade, a situação foi provocada por um curto circuito. Outra reclamação diz respeito à ausência de telões no Sambódromo, no dia do desfile. Eles lembram ainda das dificuldades que tiveram para receber os recursos do Estado.
Dificuldades
O fato é que boa parte da culpa pelos contratempos é dos próprios carnavalescos. A Associação do Grupo Especial das Escolas de Samba (Ageesma), por exemplo, deixou de prestar contas dos convênios que celebrou com o Estado nos últimos cinco anos e inviabilizou-se neste 2013, o que obrigou a SEC a procurar outro parceiro. A assinatura do contrato de transmissão, sem consulta prévia, também prejudicou a relação e as restrições que as escolas colocam quanto à ocupação dos espaços no Sambódromo inibem a utilização de novas tecnologias.
Cortes
Sem especificar onde nem como, o novo presidente da Assembleia, Josué Neto (PSD), disse que vai realizar cortes nos gastos da Casa. Ele deu uma pista: “Vamos utilizar todas as novas tecnologias para limitar ao máximo as despesas”. Pode-se dizer que o papel está na mira dele, assim como já aconteceu na Câmara Municipal.
Defensoria
Defensores públicos do Amazonas participam em Brasília de mobilização pela derrubada do veto da presidente Dilma Roussef ao projeto de Lei do senador José Pimentel (PT-CE), que prevê o investimento de 2% das receitas líquidas dos Estados nas Defensorias, reduzindo de 49% para 47% a margem de gastos com pessoal. Eles conseguiram pelo menos um aliado para a empreitada. O deputado Francisco Praciano (PT) comprometeu-se em votar pela derrubada.






