Especialistas temem crise maior

Em: 20 de março de 2013
O parlamento do Chipre rejeitou ontem por ampla maioria dos votos um imposto profundamente impopular sobre o dinheiro depositado em contas bancárias, o que coloca em dúvida o plano de resgate internacional para o país
O parlamento do Chipre rejeitou ontem por ampla maioria dos votos um imposto profundamente impopular sobre o dinheiro depositado em contas bancárias, o que coloca em dúvida o plano de resgate internacional para o país

O parlamento do Chipre rejeitou ontem por ampla maioria dos votos um imposto profundamente impopular sobre o dinheiro depositado em contas bancárias, o que coloca em dúvida o plano de resgate internacional para o país.
O Parlamento de 56 integrantes decidiu, por 36 votos contrários e 19 abstenções, enterrar o projeto de lei, condição para o resgate de 10 bilhões de euros (13 bilhões de dólares) da União Europeia para a ilha do Mediterrâneo. Um parlamentar não compareceu à votação.
A rejeição da proposta deixa a ilha do leste do Mediterrâneo, um dos menores Estados do continente, à beira do colapso financeiro.
A exigência europeia no final de semana para que o Chipre quebrasse práticas anteriores e adotasse imposto sobre as contas bancárias como parte do resgate da União Europeia (UE) deixou os cipriotas furiosos e agitou os mercados financeiros.
Após a votação, o Banco Central Europeu (BCE) disse ter conhecimento do resultado e reforçou seu compromisso de prover liquidez na medida do necessário dentro das regras.
O plano determinava uma taxa de até 10% sobre os depósitos bancários – um tipo de confisco que assustou depositantes de outros países da zona do euro, uma vez que abriria precedente para ser usado por outros países em situações semelhantes. O objetivo do imposto era arrecadar 5,8 bilhões de euros como parte do resgate considerado necessário para evitar o default e o colapso do setor bancário.

Inquietação

A decisāo dos ministros da zona do Euro de tributar o dinheiro depositado em contas bancárias no Chipre é considerada “inquietante” e “surpreendente” pelas principais associações de correntistas europeus, que temem uma grave crise de confiança entre investidores e denunciam a medida como ilegal.
“As consequências são muito negativas. O resultado é uma desconfiança geral que pode, inclusive, repercutir na economia. Imagine se as pessoas começarem a retirar o dinheiro dos bancos para investir em outros serviços, como ouro ou imóveis, por exemplo?”, disse à BBC Brasil Juan Manuel Viver, representante da Eurofinuse, a Federação Europeia de Usuários de Serviços Financeiros, entidade que representa cerca de 50 associações na Europa.
O reflexo já é sentido nas principais economias, como o Brasil. O mercado futuro de juros local opera em queda desde o início do pregão da última segunda-feira, em linha com a aversão ao risco no exterior. O motivo é a preocupação com a crise das dívidas da zona do euro e com um efeito contágio, renovada após o Chipre garantir um pacote de resgate com confisco. O país terá ajuda de 10 bilhões de euros, mas com a participação, pela primeira vez na região, de correntistas.
“O mercado teme reflexos sobre o crescimento econômico mundial e impactos disso sobre o crescimento brasileiro, que poderiam levar o Banco Central a postergar uma alta de juros”, afirma o estrategista-chefe do banco WestLB, Luciano Rostagno.
O representante da Eurofinuse não acredita que haverá corrida em massa dos clientes aos bancos europeus para retirar dinheiro, mas considera que a decisão abre um precedente. “As pessoas vão ter medo, pois vão pensar que se fizeram uma vez, podem fazer de novo”, acrescentou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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