Enquanto as atenções no mundo dos negócios têm se voltado para o Brasil, há micro e pequenos empresários que planejam expansão fora da fronteira nacional por meio de franquias, redes conhecidas e consolidadas no Brasil. E um destino bastante atrativo para essas marcas é Angola, um dos países mais desenvolvidos do continente africano que também tem o português como seu primeiro idioma.
Porta de entrada para o segundo maior continente do mundo, Angola tem uma população de 19,6 milhões de pessoas e um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 104,6 bilhões em 2011 –crescimento de 3,4% ante 2010 (o acumulado de 2012 ainda não foi fechado).
Todo esse cenário tem atraído as franquias brasileiras, segundo a ABF (Associação Brasileira de Franchising). Hoje, há 110 franquias brasileiras no exterior, 15 delas em Angola —o maior número desde que o levantamento da associação foi realizado pela primeira vez, há cinco anos. E a perspectiva é que novas franquias cheguem a esse país ainda em 2013.
Esse é o caso da Supersan, rede brasileira de controle microbiológico, que abriu sua primeira unidade no exterior em Angola no início deste ano, a partir de um investimento inicial de R$ 600 mil.
De acordo com Daniel Gamez, diretor de expansão da empresa, a rede realizou um estudo antes de optar pela Angola. Foram analisados a proximidade cultural com o Brasil, o potencial de crescimento do país e a capacidade de desenvolvimento imobiliário da região. Um angolano foi escolhido como franqueado para facilitar a adaptação ao país.
“A questão cultural não foi empecilho, sentimos uma sinergia muito boa com o país. O desafio está nas questões burocráticas. As leis são bem diferentes das do Brasil”, afirma Gamez.
Franqueado da Supersan angolana, Osvaldo Nelson Rasgado, de 41 anos, decidiu apostar em uma franquia brasileira pela maturidade econômica do Brasil. “Angola tem uma elevada carência no setor de serviços”, justifica Rasgado.
A rede de idiomas Fisk tem uma operação mais antiga no país. A franquia chegou à Angola há cinco anos e pretende abrir outra unidade no país ainda este ano. O franqueado, segundo Christian Ambros, diretor da Fundação Fisk, é brasileiro e já operava no Brasil. A experiência, acrescenta, foi fundamental para o sucesso da unidade no continente africano. “Ele identificou que a economia de Angola estava em plena ascensão viu que o idioma é o mesmo e que não precisaria mudar o material didático”, explica Ambros. Apesar de os cursos oferecidos no Fisk angolano serem os mesmos comercializados no Brasil, em inglês e espanhol, foram necessárias adaptações burocráticas para a unidade dar certo fora do território brasileiro. “Lá, por exemplo, há outro código de defesa do consumidor”, exemplifica. Com a nova unidade em Angola, a rede Fisk espera obter um crescimento de 10% no faturamento esse ano, ante 2012. Atualmente, a rede opera em 5.300 municípios e conta com 1.008 unidades, distribuídas por países como Brasil, Angola, Japão e Chile.
Uma das principais franquias do Brasil, O Boticário está em Angola desde 2006. Lá, acumula cinco unidades. A escolha do país, segundo Nicolas Borrero Pabon, gerente comercial internacional da rede, se deve ao grande potencial de mercado da Angola. “Esse país passa por um aumento da capacidade produtiva pós-guerra civil e de reconstrução do varejo. Estamos atentos a essa oportunidade e investindo para aproveitar esse crescimento”, analisa o gerente.
Angola abriga 14% das franquias brasileiras no campo internacional
Em: 3 de abril de 2013
Enquanto as atenções no mundo dos negócios têm se voltado para o Brasil, há micro e pequenos empresários que planejam expansão fora da fronteira nacional por meio de franquias, redes conhecidas e consolidadas no Brasil
Redação
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