Além de pagar a sétima gasolina mais caras do país, com média de R$ 2,980/Litro, segundo dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo), a população de Manaus ainda deve se preocupar com a fraude provocada por postos de gasolina que apresentam irregularidades quanto ao combustível que é marcado nas bombas. Só neste trimestre foram 54 bombas inapropriadas lacradas pelo Ipem-AM (Institutos de Pesos e Medidas do Amazonas) em 230 postos fiscalizados. Duas delas, na manhã de ontem, em operação realizada em conjunto com a ANP, que fiscalizaram cinco postos em Manaus.
Dos postos fiscalizados na quarta-feira (3), foram constatadas irregularidades no posto de Bandeira BR, próximo a Bola da Suframa, e no posto Mucuripe da empresa Petro Amazon, localizado entre a Humaitá e a Carvalho Leal. O primeiro posto apresentou um desvio de 120ml de gasolina a cada 20 litros e o segundo de 160ml. Ao abastecer nesses lugares o consumidor pagava um valor superior ao que realmente era depositado em seu veículo. A legislação prevê uma margem de erro de até 100ml. Os outros três postos fiscalizados, um na zona Sul e outro na zona Leste da cidade não apresentaram irregularidades.
O presidente do Ipem-AM, Marcio André, explica que os postos que apresentam bomba irregular recebem um auto de infração do Ipem e tem 10 dias para apresentarem sua defesa explicando por que a mesma se encontrava adulterada. A partir da análise da defesa apresentada, caso seja constatado má fé por parte dos proprietários, a multa pode chegar a até R$ 500mil. Além disso, as bombas permanecem lacradas e os postos tem até 24 horas para resolverem o problema. Após o período uma equipe técnica autorizada pelo Ipem-AM fará uma nova vistoria no local, retirando o lacre caso a bomba esteja regular. Se o problema não for resolvido no prazo previsto, o posto recebe outro auto de infração.
As bombas de combustível foram analisadas segundo os critérios estabelecidos pela portaria de nº 23/1985 do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), que estabelece que o consumidor leve a quantidade correta de combustível adquirida. Marcio André explica que primeiro é realizado um teste visual, verificado vazamentos, rupturas e partes danificadas para analisar as condições de utilização das bombas medidoras de combustíveis e depois é realizado testes referente a quantidade de volumes nas bombas. “O teste é feito através de um aferidor de 20 litros.Coloca-se a gasolina nele e simplesmente é comparada a quantidade de gasolina que aponta o aferidor, com a quantidade que é marcada na bomba. Se os valores não baterem é por que tem algo de errado”, explica.
Apesar do grande número de bombas irregulares encontradas na cidade o presidente do Ipem-AM explica que esses números vêm caindo de 2010 para cá. “A fiscalização era feita a cada ano. Agora fazemos no mínimo a cada três meses. Caiu muito por que aumentou a fiscalização”, comenta. Segundo Marcio André em 2012, 22% das bombas fiscalizadas apresentavam irregularidades. Número que caiu para 7% em 2011 e 2% em 2012. “Foram mais de 2000 bombas verificadas esse ano e pouco mais de 50 estavam irregulares, se for analisar ficaremos perto dos 2% do ano passado, mas vamos buscar diminuir esse número” reiterou.
O Coordenador de fiscalização da ANP, Noel Santos, também esteve presente na operação. A agência é responsável pelos testes que envolvem a qualidade do combustível. “A ANP apenas colhe a amostra e se for constatado que pode haver irregularidade o combustível é levado para uma análise mais profunda. Só então é dado o parecer” explica Noel Santos. A forma e a gravidade de penalidade aplicada ao posto variam de acordo com o tipo e o nível da irregularidade encontradas, as multas aplicadas pela agência podem chegar a R$5 milhões. Após análise do combustível realizado na UFAM, a ANP não encontrou nenhuma irregularidade nos 5 postos fiscalizados.
Bombas lacradas foram 54 no ano
Em: 4 de abril de 2013
Operação do Ipem flagrou ontem dois postos de gasolina com irregularidades durante operação de fiscalização
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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