Mercado comemora fim do IOF

Em: 6 de junho de 2013
O jornal inglês Financial Times e analistas do banco HSBC comemoram nova ‘oportunidade de crescer’
O jornal inglês Financial Times e analistas do banco HSBC comemoram nova ‘oportunidade de crescer’

A decisão do governo brasileiro de retirar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para estrangeiros na renda fixa foi elogiada pela equipe de analistas da área de pesquisa econômica do banco britânico HSBC. Em relatório aos clientes, economistas da casa avaliam que a medida vai facilitar o ingresso de capitais no Brasil, mas também pode facilitar a decisão de saída de quem já tem posições antigas no país. Mais do que isso, a instituição afirma que a medida parece ser mais uma ação no esforço da equipe econômica de se mostrar mais “amigável” aos investidores. Para o banco, o dólar deve passar a girar na banda informal entre R$ 2,05 e R$ 2,15 nas próximas semanas.
“A medida também parece ser parte de uma tendência do governo de tentar apresentar um ambiente mais amigável para os investidores”, dizem em relatório os economistas Gordian Kemen, Marjorie Hernandez e Constantin Jancso. “Ao eliminar um dos principais instrumentos de controle de capitais empregado na ‘guerra cambial’, o governo está dando um passo significativo na direção certa, mesmo que o ministro Guido Mantega, da Fazenda, tenha sido rápido em afirmar que o governo sempre pode retomar o IOF quando necessário”.
“Nossa reação inicial é que esta é uma medida adequada considerando que as necessidades de financiamento externo do Brasil estão em ascensão em um cenário de condições de financiamento mais restritivas”, dizem. Mas o HSBC chama atenção para outro fato: sem barreiras para entrar, pode ser mais fácil decidir sair.
“Estrangeiros estarão mais dispostos a entrar no Brasil, mas também estarão mais dispostos a sacar recursos do país em momentos de maior aversão ao risco”, dizem, ao comentar que antes estrangeiros que já tinham posições antigas na renda fixa no Brasil eram pouco propensos a retirar o dinheiro do País, já que, se decidissem retornar, teriam de pagar o pedágio de 6% referente ao IOF. Para os analistas, esse tende a ser um efeito secundário. “É possível [que aconteça], mas não deve reter os ganhos da medida”.
Diante do atual cenário global de valorização do dólar, os economistas preveem que a moeda americana passará a girar entre R$ 2,05 e R$ 2,15 nas próximas semanas e intervenções não são descartadas. “A medida, juntamente com os últimos leilões de swap, são um sinal de que as autoridades continuarão a intervir na taxa de câmbio, se necessário”, dizem os economistas.

Fim de IOF para estrangeiros é elogiada pelo ‘FT’

O fim da incidência do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para investidores estrangeiros interessados em renda fixa foi elogiada pelo jornal “Financial Times” (FT), da Grã-Bretanha. Em dois textos, a publicação avalia, positivamente, a decisão anunciada nesta terça-feira (4), à noite e diz que o Brasil “parece retornar à ortodoxia” econômica com a medida divulgada uma semana após o aumento do juro básico.
“O Brasil acabou com uma das pedras angulares de sua guerra cambial contra a entrada de capital externo ao cortar o imposto sobre investimentos estrangeiros em títulos de renda fixa”, diz reportagem publicada na página do “FT” na internet. Em outro texto, publicado no blogue sobre mercados emergentes “BeyondBrics”, o jornalista Jonathan Wheatley diz que a decisão é “bem-vinda”. “O uso (do IOF) enquadrava-se na categoria de controles de capital – o tipo de política heterodoxa que muitos investidores odeiam porque é arbitrário e imprevisível e distorce os fluxos do livre-mercado”, diz.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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