Problemas afetam terminais fluviais

Em: 21 de junho de 2013
Relatório da Antaq aponta dificuldades gritantes para transporte de passageiros pelos rios na Região Amazônica
Relatório da Antaq aponta dificuldades gritantes para transporte de passageiros pelos rios na Região Amazônica

A maioria dos terminais de passageiros de transporte fluvial da Amazônia apresenta um padrão baixo de atendimento aos usuários, revelam os dados de um levantamento divulgado ontem, pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários). De acordo com o relatório, 81% das instalações na região amazônica apresentam um nível baixo de atendimento, enquanto 15% têm um padrão médio e apenas 4% dos terminais conseguem atender os passageiros em um padrão elevado de serviços.
Para obter essa classificação, a Antaq analisou variáveis como a adequação da infraestrutura dos terminais e seus acessos, a quantidade de mão de obra disponível nos locais e os serviços oferecidos aos passageiros. No levantamento, foram contabilizados desde o número de banheiros e telefones públicos até a existência de postos de polícia e de atendimento médico. Como a navegação de passageiros na região ocorre basicamente ao longo do Rio Amazonas e seus afluentes, os resultados também foram divididos com relação aos terminais dos Estados do Amazonas e do Amapá, além do Pará e sua capital, Belém.
A pior situação ocorre no Amapá, onde todos os 11 terminais avaliados pela Antaq registraram baixo padrão de atendimento. Já no Amazonas, das 30 instalações avaliadas pela agência reguladora, apenas uma apresentou nível elevado de atendimento e três delas registraram um padrão médio. Os outros 26 terminais do Estado tiveram nota baixa.
No Pará, nenhum dos 35 terminais avaliados apresentou nível elevado de atendimento, mas quatro deles conseguiram uma nota média da Antaq. As outras 31 instalações apresentaram um padrão baixo de serviços prestados. Já em Belém, dos 29 terminais avaliados, três apresentaram padrão elevado, nove registraram padrão médio e os demais 17 tiveram notas baixas da agência reguladora.

Subsídio regional

O relatório da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) que mostra o baixo padrão de atendimento aos passageiros das vias fluviais na região Amazônica defende a concessão de subsídios e subvenções do Estado para o modal de transporte, sem os quais “é impossível qualquer empresário suportar os investimentos em tecnologias mais modernas entre centros populacionais de baixa aglomeração e baixa renda”.
Segundo o documento, além do baixo nível de atendimento aos passageiros nos terminais, as embarcações que realizam esse transporte apresentam recorrentes problemas de conforto, higiene e segurança. Além disso, os barcos possuem idade avançada e navegam com tecnologias ultrapassadas.
De acordo com o levantamento, 63,5% das 446 embarcações cadastradas na região amazônica são feitas de madeira, seguidas de 22% fabricadas de aço e 10,1% de alumínio. Segundo a Antaq, 16,6% desses barcos têm mais de 20 anos, 21,2% têm de 11 a 20 anos, 29,9% têm registros de 5 a 10 anos e os outros 32,3% têm até 4 anos de navegação. “No entanto, observa-se regularmente que após reformas e adequações as mesmas geralmente obtêm nova idade”, pondera o documento.
Com 80% das vias fluviais navegadas do país, a região amazônica tinha uma média anual de transporte de 13,625 milhões de passageiros em 2012, que caiu para uma média de 8,991 milhões de passageiros com a construção da ponte rodoviária sobre o Rio Negro, que desativou as linhas Manaus – Cacau Pereira e Manaus – Iranduba. Para 2022, a Antaq projeta um crescimento de 12% na demanda, passando para 9,948 milhões de passageiros ao ano.
Já a movimentação de cargas na região amazônica chegou a uma média de 4,575 milhões de toneladas em 2012. Com um aumento estimado de 13% na demanda na próxima década, a Antaq prevê a movimentação média de 5,159 milhões de toneladas em 2022. Os dados referem-se apenas às 133 linhas regulares de transporte fluvial de carga (três exclusivas e 130 mistas). De acordo com o órgão regulador, a quantidade de carga transportada na região é maior se consideradas as linhas informais e eventuais, além dos barcos de pequeno porte que transportam produção regional.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar