As vozes dos milhões de manifestantes das chamadas “jornadas de junho” reposicionaram o tema das cidades na agenda do país.
Embora a precariedade de urbanismo e a má qualidade dos espaços e serviços públicos das cidades não sejam absolutamente novidade, só agora isso faz parte da agenda de debate público do país.
Há décadas o transporte público é de baixíssima qualidade e, pelo menos desde os anos 70, andar de ônibus e trens de subúrbio nas principais metrópoles brasileiras é visto como uma espécie de calvário vivido por aqueles que, desprovidos de meios econômicos, não podem ter seu próprio automóvel.
Há décadas sabe-se que são prestadores desse e de outros tipos de obras e serviços públicos que sustentam candidaturas e eleições municipais, garantindo seus negócios e a sobrevivência política de quem apoiam. Mas o tema do transporte público não “aparece” na agenda: os formadores de opinião, dentro e fora do Estado, nos meios de comunicação, nos “think-tanks” do país, salvo honrosas exceções, simplesmente não usam nem nunca usaram ônibus e trens de subúrbio.
O mesmo pode-se dizer de muitos outros temas urbanos: a moradia e os espaços públicos, só para nomear alguns.
Entretanto, parece que alguma coisa mudou nesse cenário. Será que foi necessário generalizar a imobilidade para o tema do transporte público ganhar centralidade e relevância? Teriam sido os velhos carros da “nova classe média” e a multidão de motoqueiros disputando o espaço dos automóveis nas ruas que inverteram essa equação? Ou estaríamos diante da crise de um modelo de mobilidade insustentável para as dimensões metropolitanas?
E movimentos como o passe livre e as ocupações (de prédios vazios, de espaços públicos) que, embora invisíveis para o grande público e reprimidos pela polícia, não pararam de crescer na última década? E a visibilidade crescente das relações promíscuas entre empresas e Estado?
Perguntas como essas levam a pensar a cidade e seus desafios, trazer referências de experiências urbanas de outros países, fomentar o debate de políticas e planos, enfim, alimentar esperanças de utopias possíveis. De cidades justas e belas.
Hora de repensar as cidades e a mobilidade
Em: 1 de outubro de 2013
As vozes dos milhões de manifestantes das chamadas “jornadas de junho” reposicionaram o tema das cidades na agenda do país
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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