Empreendedorismo é coisa de mulher

Em: 1 de outubro de 2013
Número de mulheres donas de negócio aumentou em 21%, o dobro em relação aos homens
Número de mulheres donas de negócio aumentou em 21%, o dobro em relação aos homens

Nos último dez anos, as mulheres ganharam espaço no mercado de trabalho e galgaram posições de poder na política, estas conquistas femininas na sociedade se repetem também no empreendedorismo. Um estudo inédito do Sebrae mostra que empresárias estão mais escolarizadas e ganhando melhor, dedicam mais tempo ao negócio e diversificam atividades. O número de mulheres donas do próprio negócio aumentou em 21%, mais do que o dobro do crescimento verificado entre os homens. As empreendedoras têm mais acesso a informações e ousam em atividades antes predominantemente masculinas.
Prova da conquista definitiva desse espaço é o aumento da proporção de empreendedoras que sustentam suas famílias. Em 2001, 59% das empresárias complementavam a renda do marido no orçamento familiar. Dez anos depois, esse percentual baixou para 50%, enquanto que a taxa das donas de negócio que são chefes de domicílio subiu de 27% para 37%.

No Amazonas

Exemplos não faltam no empreendedorismo amazonense. Geralmente tudo começa com a preocupação de manter a família aliada a busca de conhecimento. Algo parecido ao que aconteceu com a sócia da Yamauti Consultoria Ltda., Marcelle Sales “durante muitos anos trabalhei em empresas do PIM em jornadas de até dez horas ou mais, o que me deixava pouco tempo para a família e estudos. Quando houve a oportunidade agarrei-a. Meu pai me deixou um negócio de família e resolvi encarar.”
Em entrevista ao Jornal do Commercio, Marcelle Sales afirmou que há tempos esta nova força feminina podia ser notada: “a mulher passou a buscar mais escolaridade, deixando de ser aquela personagem caseira. Ainda temos duplas e até triplas jornadas, mas se somos gestoras dos nossos próprios negócios, conseguimos conciliar tempo para trabalho, estudo, família. Estou muito feliz com minhas escolhas.”
Além de conduzir uma empresa, Marcelle é Mestranda em Engenharia de Produção pela COPPE/UFRJ; Pós-Graduada em Engenharia da Produção pela UFAM; Graduada Bacharel em Administração pela UFAM; Professora titular nas disciplinas de Gestão da Qualidade, Mapeamento de Processos, Planejamento Estratégico e outras. Ela ainda tem experiência de mais de 10 anos no segmento Industrial, atuando nos Sistemas de Gestão da Qualidade e Meio Ambiente de empresas multinacionais do Polo Industrial de Manaus, dentre os quais cinco anos em uma empresa japonesa.
Com todas as atribuições de mãe e empreendedora, Marcelle ainda consegue tempo para incentivar futuras empresárias “a mulher tem um jeito muito diferente de aconselhar, sem a figura patronal do homem. A conversa fica mais humana e quando as colegas veem exemplos próximos e concretos, como o meu, se sentem mais motivadas a empreender por conta própria. Aconselho sempre meus alunos a construírem seus próprios caminhos.”
Negócios familiares que passam para as mãos femininas são algumas das características das novas empresas. Esse é o caso de um pequeno comércio atacadista de laranja e limão, que começou informalmente em 1980 e passou a existir juridicamente em 1999 com o nome de Fruti Laranja, a empresária Wanderlane Souza falou ao Jornal do Commercio sobre as dificuldades iniciais. “Comecei a trabalhar sem muita perspectiva de continuar, uma vez que achava trabalhar com a família uma extensão de casa, era somente enquanto terminava a faculdade de Letras, isso há uns 15 anos. No entanto, depois que terminei Letras fui fazer Ciências contábeis e foi na época em que meu pai faleceu. Então finquei realmente raízes e com isso, eu e meu irmão, formado em Administração de empresas, tivemos espaço para aplicar o que aprendemos na faculdade.”
A empresária ainda lembra que mesmo tendo sucesso no comando, empregar sete pessoas e ser pós-graduada em Ciências Contábeis, as cobranças não cessam. “Por ser uma empresa familiar, torna-se necessário tanto a prática de vendas e investimentos, quanto a administrativa e contábil. Necessito ter uma visão geral. Ainda há a questão de que a todo momento, a mulher deve provar competência e vejo que isso não acontece no meio masculino. No empreendedorismo feminino a mulher agrega à competência um olhar mais sensível, mais detalhista dentro da área empresarial, tem um trato melhor com o cliente.” Wanderlane conta que durante o período em que fez faculdade não dispunha de muito tempo para a vida em família “os finais de semana eram todos comprometidos com os estudos e quando era necessário, às noites também. Hoje já concilio trabalho, estudo, cuidados com a saúde e lazer,” fecha a empresária.

Prêmio para o empreendedorismo feminino

O Sebrae-Am, há anos promove o Prêmio Mulher de Negócios – MPE Brasil. Em parceria com o MBC (Movimento Brasil Competitivo), Gerdau e FNQ, o prêmio reconhece os melhores modelos de gestão do país em oito categorias, que este ano conta com 49 inscritas de todo o Estado que já estão no processo de avaliação. Segundo a gestora estadual do Prêmio, Osiana Gonçalves, o prêmio serve de incentivo ao empreendedorismo “é uma nova visão feminina, buscamos mais conhecimento e independência, vontade de empreender. No Prêmio temos histórias maravilhosas de mulheres que venceram dificuldades e hoje são exemplos de sucesso. Eu mesma trabalho desde os 16 anos, tive apoio da família e consigo conciliar trabalho e família. Sei que precisei abrir mão de outras coisas, mas agora tenho minha independência.”

No mundo

Recente pesquisa da consultoria EY (Ernst & Young) mostra que o Brasil tem a maior proporção de empreendedorismo feminino entre os países integrantes do G-20 (grupo formado pelas 20 maiores economias do mundo). Segundo a pesquisa EY G20 Entrepreneurship Barometer 2013, o país tem 10,4 milhões de mulheres empreendedoras, o que representa 14% da população com idade economicamente ativa (de 18 a 64 anos). O número supera o de países como Argentina (12%), México (10%), África do Sul (8,5%) e Austrália (6,5%). A maior relação de mulher empreendedoras se localiza no Brasil porque, segundo a pesquisa, a população está ligada a uma percepção de que abrir um negócio próprio é “muito favorável e uma opção de carreira”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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