O Amazonas apresentou variação de 0,29% no INCC (Índice Nacional da Construção Civil) em setembro, na comparação com o mês de agosto. A variação acumulada (janeiro a setembro) foi negativa de -2,65%. O resultado dos últimos doze meses também foi negativo em -2,29%, de acordo com o Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil). Os resultados são calculados mensalmente pelo IBGE através de convênio com a Caixa (Caixa Econômica Federal).
O vice-presidente do Creci-AM/RR, Ricardo Benzecry, discorda dos números do IBGE para o Amazonas. “O que nós temos percebido é um aumento muito superior a isso, tanto na mão de obra quanto em materiais”, afirmou Benzecry. Ele ainda questiona a metodologia com que os índices estão sendo calculados.“Eu não sei de que forma estão sendo calculados esses índices, mas nós aqui sentimos uma inflação superior a essa”, argumentou.
Benzecry avalia que no quesito mão de obra houve um aumento real superior a 30% para uma contrapartida de ganho de produtividade dos funcionários próximo de zero. “Ou seja, se nós estivéssemos aumentado os salários dos funcionários por mérito, porque eles aumentaram a produção isso seria um ganho de custo para a empresa. Mas na realidade não ocorreu isso e nós estamos sendo obrigados a aumentar o salário para conseguir pessoal para trabalhar na construção civil. Então esse é um custo que os construtores tem sentido em todas as suas obras”, explicou.
O empresário explica que, com relação aos materiais, insumos utilizados na construção civil (cimento, ferro, dentre outros), o resultado ficou superior aos índices do governo diante do aumento do dólar que no mesmo período ficou em torno de 20%. “Todos esses insumos são atrelados ao dólar, o que me leva a crer que esse índices estão sendo favorecidos de alguma forma ou mal analisados por que está calculando estas tabelas dos índices de reajustes”, avaliou o representante do Creci-AM/RR.
Região Norte
A Região Norte, com alta de 1,89%, ficou com a maior variação regional em setembro. As demais regiões apresentaram os seguintes resultados: Nordeste 0,54%; Sudeste 0,31%; Sul 0,50% e Centro-Oeste 0,28%.
Com relação aos acumulados, a Região Nordeste apresentou a menor variação no ano -2,30%, além de ser a mais baixa nos últimos doze meses, com -0,90%. Os custos regionais, por metro quadrado, foram de R$ 856,90 no Norte; R$ 787,14 no Nordeste; R$ 880,06 no Sudeste; R$ 870,95 no Sul e R$ 854,16 no Centro-Oeste.
O Pará registrou a maior variação mensal: 4,04%, decorrente de pressão exercida pelo reajuste salarial de acordo coletivo, segundo o Sinapi.
Índice Nacional
Já o INCC/Sinapi apresentou variação de 0,54% em setembro, ficando 0,04 ponto percentual abaixo da taxa de agosto (0,58%). A variação acumulada (janeiro a setembro) foi negativa (-1,21%), enquanto em igual período de 2012 havia ficado em 4,38%. O resultado dos últimos doze meses ficou em -0,22%, acima dos -0,51% registrados nos doze meses imediatamente anteriores. Em setembro de 2012, o índice foi de 0,25%.
O custo nacional da construção, por metro quadrado, que em agosto fechou em R$ 840,76, em setembro passou para R$ 845,31, dos quais, R$ 465,76 são relativos aos materiais e R$ 379,55 à mão de obra. A parcela da mão de obra apresentou variação de 0,48%, registrou 0,38 ponto percentual abaixo da taxa de 0,86% de agosto. Os materiais, por outro lado, registraram uma diferença de 0,24 ponto percentual, indo de 0,35% em agosto para 0,59% em setembro.
Nos nove primeiros meses do ano, os acumulados estão em 2,64% em materiais e -5,55% em mão de obra. Para doze meses, ficaram em 3,50% os materiais e -4,44% a mão de obra. Estes resultados levam em conta a desoneração da folha de pagamento de empresas do setor da construção civil prevista na lei 12.844, sancionada em 19 de julho de 2013.
Desempenho
O desempenho do mercado imobiliário neste ano divide a opinião de representantes de entidades ligadas ao segmento. De acordo com o diretor da Comissão Imobiliária do Sinduscon-AM, Newton Veras, o crescimento reduzido é um resultado da sazonalidade que vem ocorrendo nos últimos nove meses onde há uma acomodação do mercado com relação aos financiamentos imobiliários. “Esse é um espelho do que de fato está acontecendo na construção civil. Houve um incremento nas obras já lançadas no ano passado, porém desde o início deste ano houve uma constante redução, em relação aos últimos dois”, afirmou.
Ainda segundo Veras, o resultado representa um equilíbrio entre a oferta e a procura no setor imobiliário e deverá seguir no mesmo patamar no último trimestre do ano. “É um ajuste natural do mercado imobiliário que reflete na construção civil”, confirmou.
Para o vice-presidente do Creci-AM/RR, Ricardo Benzecry, a realidade do comportamento da construção civil no Amazonas é de alta. O setor imobiliário está comemorando os melhores resultados na capital amazonense, confirmando a previsão de que voltaria a fortificar a economia no segundo semestre, aliado ao segmento da construção civil. Com sinais de reaquecimento no final do primeiro semestre e exercendo influência positiva sobre o PIB (Produto Interno Bruto) no segundo semestre de 2013, na avaliação de especialistas e entidades do setor, publicada no Jornal do Commercio, em 26 de junho (A6).
Benzecry acrescenta que o setor imobiliário está passando por um miniboom. “Tudo o que está sendo lançado, está sendo vendido; uma surpresa para o mercado e para todos os empresários da construção civil”, garante. Ele exemplificou com produtos lançados há 60 dias, sem divulgação na mídia, apenas utilizando o boca a boca, foram vendidos 65% da disponibilidade. Um exemplo disso foi visto pela construtora Colméia que lançou recentemente o residencial Vision Ponta Negra, um empreendimento com apartamentos de alto padrão na faixa de R$ 7.900 o m², que correspondem a valores superiores a R$ 1 milhão, ocasião em que foram vendidos 70% da disponibilidade em 30 dias. “O mercado está muito eufórico com as vendas que vem acontecendo na cidade. O motivo nós não conseguimos identificar, só se sabe que estamos vendendo muito acima das nossas expectativas”, comemora Benzecry.







