Pré-sal: ainda muito longe dos resultados

Em: 22 de outubro de 2013
Se tudo der certo, daqui a sete anos o pré-sal estará produzindo 2,7 milhões de barris por dia, volume correspondente ao que a Petrobrás produz hoje, 54 anos depois de sua criação
Se tudo der certo, daqui a sete anos o pré-sal estará produzindo 2,7 milhões de barris por dia, volume correspondente ao que a Petrobrás produz hoje, 54 anos depois de sua criação

Se tudo der certo, daqui a sete anos o pré-sal estará produzindo 2,7 milhões de barris por dia, volume correspondente ao que a Petrobrás produz hoje, 54 anos depois de sua criação, e que só foi alcançado porque sua produção cresce ao ritmo de 10% ao ano desde o início da década de 1980. Seria algo como cinco décadas e meia em menos de uma, se confirmada a previsão feita pelo ex-presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli. A previsão deve ser vista com muita cautela.
O risco mais evidente decorre da magnitude do empreendimento, que poderá exigir investimentos agora estimados em cerca de US$ 1 trilhão. Haverá disponibilidade de recursos, mas eles dependerão da viabilidade econômica dos campos do pré-sal. O campo de Golfinho, que deveria alcançar a produção de 300 mil barris/dia, hoje produz apenas 10% disso.
É claro que os resultados de cada campo só serão conhecidos quando eles estiverem operando. Se a produtividade dos poços do pré-sal for alta, o custo de produção por barril poderá ser pouco superior a US$ 30, o que assegurará excelente margem de lucro. Mas, se for baixa, o custo poderá superar US$ 70 o barril, reduzindo dramaticamente o retorno do investimento -o que afastará futuros investidores.
Outro problema que ameaça a execução do programa do pré-sal no ritmo previsto pela Petrobras já afeta os projetos atuais e se agravará à medida que outros projetos avançarem. A falta de equipamentos -já encomendados, mas cuja entrega no prazo está ameaçada pelos gargalos das indústrias -pode comprometer os investimentos da empresa.
Se seguidas à risca as regras de conteúdo nacional dos equipamentos a serem empregados na exploração do pré-sal, a demanda da Petrobras por sondas de perfuração, plataformas de produção e barcos de apoio e produção dificilmente será atendida. Mesmo que o seja, há a questão do custo: a indústria nacional terá condições de produzir a um custo compatível com a média internacional ou a Petrobras terá de arcar com gastos adicionais apenas para atender à exigência de conteúdo nacional?

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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