Na mão da tecnologia

Em: 31 de outubro de 2013
ROBÔ vai CRIAR próteses de madeiras da região amazônica no lugar de fibras de carbono
ROBÔ vai CRIAR próteses de madeiras da região amazônica no lugar de fibras de carbono

O auditório da EST (Escola Superior de Tecnologia) da UEA (na avenida Darcy Vargas, no bairro Parque 10 de novembro) foi palco de lançamento do robô ‘NAO’, que veio diretamente da França para auxiliar nas análises de criação de biopróteses para deficientes físicos. Seu objetivo é potencializar a modelagem de próteses de membros inferiores com aplicação de espécies madeireiras da região amazônica, como o roxinho, o ipê e o cumaru. A UEA será a primeira instituição do Norte / Nordeste do país que contará com um robô desse tipo para suas análises.
De acordo com a doutora em Biotecnologia e coordenadora do grupo de Tecnologia Assistiva da UEA, Marlene Araújo, o NAO é um dos melhores modelos de robôs do mundo para esse tipo de análise, que será baseada em seus movimentos e no processo do ciclo da marcha do humanoide (tecnologia que garante a ele a mobilidade para andar).
Segundo Marlene, o projeto iniciou em março de 2013 e tem previsão de conclusão para março de 2014, o robô chegou no dia 23 de outubro, um sonho que se tornou real para o núcleo de pesquisa. “Vamos substituir a fibra de carbono usada em bioprótese pela madeira laminada, que além de ser mais leve é mais barata”, explicou. A madeira fornecerá menos impacto ao usuário, principalmente nas bases dos membros, que recebem maior carga na locomoção, como os pés e tornozelos. “Em breve faremos estudos para o joelho e quadril”, completou a coordenadora.
Para o professor e membro do grupo de Tecnologia Assistiva da UEA, Edmilson Bruno da Silveira, a metodologia usada pelo robô para os movimentos e o equilíbrio, é essencial nas análises com uso de marcha. E a UEA será a pioneira no Brasil a usar um humanoide nessa pesquisa sobre próteses. “Somos a primeira universidade da região Norte / Nordeste usando a técnica robótica em prol da tecnologia assistiva, que vai revolucionar e baratear esses materiais servindo para o bem comum da sociedade”, afirmou.
Segundo Silveira, a primeira fase da pesquisa usando o humanoide servirá para confirmar que as fibras de madeira são superiores às de carbono, diminuindo consideravelmente o valor desse produto. “Vamos trabalhar para a diminuição da fadiga, do cansaço e das dores que os usuários de próteses sentem. Uma grande quantidade de pessoas será beneficiada com a fabricação de uma prótese acessível. Principalmente aqueles que realmente precisam e que dependem do SUS (Sistema Único de Saúde)”, apontou.

DETALHES DO HUMANOIDE

O robô que custou a bagatela de R$ 85 mil teve seu valor reduzido especialmente para o núcleo de tecnologia assistiva, um investimento da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas), por meio do edital Viver Melhor Pró-Assistir. O modelo do robô é o mesmo usado nas gravações da novela “Morde e Assopra”, exibida na Rede Globo. Ele mede 55 centímetros de altura e tem 25 articulações de movimentos. Quando começou a andar, falar e dançar no auditório da UEA encantou a todos.
Controlado por um programa de computador, via conexão Wi-fi, suas mãos são capazes de segurar objetos. É equipado com câmera de vídeo e sistema de reconhecimento de voz e da face humana, além de outros recursos de tecnologia avançada na área de inteligência artificial, tem sensores de audição, equilíbrio e mecânica, o que lhe permite andar perfeitamente. Um dos pontos altos da demonstração no palco foi sua desenvoltura dançando a música “Macarena”.

PALAVRA DE QUEM PRECISA

Para o presidente da Adefa (Associação dos Deficientes Físicos do Amazonas), Isaac Gomes, deficiente físico que estava na plateia sobre uma cadeira de rodas acompanhando todos os momentos da demonstração. O robô chegou em boa hora. “Essa tecnologia que a UEA está trazendo é fundamental para melhorar a vida de quem usa prótese. A professora Marlene e os participantes do projeto estão de parabéns”, completou.
De acordo com a proposta, os beneficiários diretos desta pesquisa serão os pacientes amputados, usuários do SUS (Sistema Único de Saúde), pesquisadores e profissionais das áreas de saúde e engenharia. A previsão de atendimento após a conclusão do projeto é de duas mil pessoas por ano. Também está em estudo a utilização do robô no processo de ensino da língua de sinais e no tratamento de crianças autistas.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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