A decisão recente do Supremo Tribunal Federal de fazer com que se cumpram as penas do chamado ‘mensalão’, inclusas aquelas que levaram para a prisão militantes históricos do Partido dos Trabalhadores, como José Dirceu e José Genoíno, mobilizou o debate público.
Assim como já ocorrera quando da prorrogação do julgamento em causa por esta mesma Corte, há cerca de dois meses, entrou novamente em cena a lógica binária e maniqueísta na análise do cenário atual, e que tem como verdadeiro motivo a disputa eleitoral de 2014, com os arraigados interesses de ambos os lados do espectro político.
Não é novidade alguma a campanha sem paralelos com que a mídia corporativa se lançou por sobre a estigmatização dos ‘mensaleiros’ petistas. Trata-se, afinal, de grupo que, ainda que tenha beneficiado o grande capital, nunca será o partido do coração da burguesia brasileira, com o qual jamais teve afinidade de classe e ideológica e que sempre esteve em sua mira para a desconstrução simbólica.
A intenção, por sua vez, de associar os mensaleiros a práticas intrínsecas de esquerda não cola. O que de fato teria motivado a compra de deputados, denunciada no processo do mensalão, foi a necessidade de conseguir maioria no congresso para a aprovação da reforma previdenciária, nos moldes exigidos pelo FMI e pelos bancos internacionais. Os alvos eleitos para o ataque da direita estão hoje, portanto, muito aquém de alcançar o que se pode chamar de esquerda. Afinal, 2013 foi o ano em que efervesceram manifestações e demandas sociais, as quais, ainda que de forma pouco consciente ou organizada, começaram a se posicionar contra a usurpação histórica de direitos, seja pelo poder público, privado ou pelas agremiações partidárias.
No Fla-Flu instalado entre defensores e detratores dos atuais condenados pelo STF, tucanos comemoram as prisões do alto de suas lambanças com a privataria, os mensalões, o propinoduto no metrô paulista, a máfia do ISS. Quanto aos petistas, não estiveram até agora nem perto de convocar a sua militância para denunciar tão graves condutas de roubo ao patrimônio público, voltando-se quase exclusivamente às desventuras de alguns dos seus condenados. E de ambas as agremiações políticas, nenhuma palavra sequer sobre a criminalização do movimento social e as agressões que têm sofrido muitos daqueles que ousam pôr o pé na rua e a boca no trombone.
Um debate estéril diante do que já se decidiu
Em: 4 de dezembro de 2013
A decisão recente do Supremo Tribunal Federal de fazer com que se cumpram as penas do chamado ‘mensalão’, inclusas aquelas que levaram para a prisão militantes históricos do Partido dos Trabalhadores, como José Dirceu e José Genoíno, mobilizou o debate
Redação
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