Fábrica ajuda a reduzir preço do calcário no AM

Em: 9 de março de 2014
A Calnorte vai permitir que o produtor rural compre o calcário 70% mais barato
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A Calnorte vai permitir que o produtor rural compre o calcário 70% mais barato

Dando início a um processo
que visa aumentar
a capacidade produtiva
do setor primário
amazonense, o governo do Estado
do Amazonas inaugurou na
última sexta-feira (7) a primeira
fábrica de beneficiamento de
calcário dolomítico (de uso agrícola)
do Amazonas. A Calnorte
Ltda. fará o beneficiamento do
calcário extraído da mina do
Jatapu, que fica no município de
Urucará (a 680 km da capital).
A chegada da fábrica propiciará
uma redução nos preços praticados,
caindo dos atuais R$ 500
(a tonelada) para R$ 165. O projeto
coordenado pela SEMGRH
(Secretaria de Estado de Mineração,
Geodiversidade e Recursos
Hídricos), ADS (Agência de
Desenvolvimento Sustentável) e
Sepror (Secretaria de Estado da
Produção Rural), vai permitir
que o produtor rural do Amazonas
compre calcário agrícola
com preço 70% menor do que o
cobrado pelo produto importado
dos Estados do Ceará, Rondônia
e Mato Grosso.
Setor primário revigorado
A inauguração da fábrica representa
um avanço na produção
do setor primário do Estado,
permitindo que o pequeno produtor
reduza custos com o cultivo.
“Durante muito tempo se
falou em piscicultura e se buscaram
soluções para produzir em
nosso solo ácido. Mas que medidas
foram tomadas? Através da
produção e beneficiamento de
calcário, tivemos a coragem de
impor um preço justo, que será
praticado em todo o Estado”,
disse o governador Omar Aziz.
O uso do minério produzido no
Estado criará uma cadeia que
unirá o pequeno produtor ao
empreendedor. “O calcário aqui
beneficiado irá ajudar a manter
na terra o pequeno produtor.
Estes não tinham condições de
adquirir o insumo com os preços
praticados anteriormente. E
ainda acreditamos no empreendedor,
com os subsídios teremos
mais ações da iniciativa privada.
Com a abertura e extração da
mina de Jatapu, começamos a
negociar com Canadá e Rússia,
os maiores consumidores do
insumo no mundo”
Ainda falando de produção rural,
a beneficiadora tem o papel
de ser o ‘start’ e iniciar uma nova
era. A produção trará autossufuciência
para o setor, acredita o
presidente da Faea (Federação
da Agricultura e Pecuária do
Estado do Amazonas), Muni
Lourenço “O calcário de qualidade,
produzido, extraído e
beneficiado no Estado será mais
acessível e daremos um salto no
Nova fábrica de calcário ajudou a reduzir preços dos insumos comprados no mercado regional
setor primário. Toda a cadeia
produtiva sairá ganhando, desde
o produtor rural, ao pecuarista e
piscicultor.”
Sabendo da importância do
setor primário e de seu crescimento
exponencial, a chegada
da Calnorte é comemorada pelo
titular da Sepror, Eron Bezerra
“Representa um investimento
de natureza estruturante. O que
poderá ser uma opção ao modelo
ZFM. Trabalharemos com
sustentabilidade, produzir mais
sem precisar abrir novas áreas
de extração. Quando falamos em
sustentabilidade, nos referimos
a elevar o padrão de vida, economizando
os recursos naturais.”
Valores em conta
As primeiras quatro mil toneladas
do minério, transportadas
em balsas da mina de Jatapu
até o porto da Calnorte,
em Manacapuru, começaram
a ser beneficiadas na data de
inauguração. Com a previsão de
40 toneladas de minério beneficiado
a cada mês e média de 20
mil toneladas/ano, a demora
na entrega e altos custos, terão
quedas significativas, conta o
sócio da Calnorte, Alexandre
Perrone “Temos outra fábrica
em Rondônia e também em Iatituba
(PA), o que fazia com que
cada viagem levasse uma média
de 15 dias. Com nossa fábrica
Foto: Saullo Castro
em Manacapuru e o calcário
chegando via Jatapu, o tempo
caiu pra dois dias, a tendência é
de baratear o insumo.”
Além do tempo e distâncias
reduzidas, outro fator que beneficiou
o setor primário foi a
isenção do ICMS (Imposto Sobre
Circulação de Mercadoria de
Serviço), que irá viabilizar para
o produtor um preço acessível,
compensando os custos de logística
no transporte do calcário
da mina até a beneficiadora. A
previsão da SEMGRH é de que
haja um aumento em até cinco
vezes do consumo do calcário,
atualmente estimado em 50 mil
toneladas. A mina do Jatapu
já extraía calcário rico em carbonato
de cálcio, utilizado na
fabricação de cimento e tem a
capacidade de extração de 1,7
milhão de toneladas de calcário
rico em magnésio, o que representaria
assim a independência
do Estado, em relação ao produto.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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