Missão da UE chega ao Brasil para realizar inspeção na carne

Em: 7 de novembro de 2007
Técnicos verificarão se o governo implementou melhorias em seis pontos: sistema de rastreamento do gado, controle do trânsito de animais, vacinação, certificação, legislação sobre focos e controle da febre aftosa, e diagnóstico de doenças.
Técnicos verificarão se o governo implementou melhorias em seis pontos: sistema de rastreamento do gado, controle do trânsito de animais, vacinação, certificação, legislação sobre focos e controle da febre aftosa, e diagnóstico de doenças.

Uma missão do De-partamento de Alimentação e Ve-terinária da União Européia (FVO, na sigla em inglês), órgão responsável pelo controle sanitário no bloco, está no Brasil até o próximo dia 19 para verificar se o país cumpriu com as exigências européias de controle da carne exportada para a Europa.

A equipe, composta por nove técnicos e veterinários, deve visitar fazendas, abate-douros e centros de certificação brasileiros, e inspecionar toda a cadeia produtiva da carne, “do pasto que o gado come ao produto final que embarca para a Europa”, explicou à BBC Brasil Otávio Briones, responsável por Agricultura na Missão do Brasil para a UE.

Em março, os especialistas da FVO detectaram deficiências em alguns procedimentos desse sistema, exigindo que fossem corrigidas até o fim deste ano, sob pena de a Comissão Européia, o braço Executivo da UE, tomar medidas restritivas à venda da carne brasileira. Desde então, o produto vem sendo alvo de uma forte campanha movida por deputados e associações de produtores de gado europeus -principalmente britânicos e irlandeses-, que pedem o embargo total das importações até que o Brasil siga o padrão imposto por Bruxelas.

Os técnicos verificarão se o governo implementou me-lhorias em seis pontos: sistema de rastreamento do gado, controle do trânsito de animais, vacinação, certificação, legislação sobre focos e controle da febre aftosa, e diagnóstico de doenças.

O governo brasileiro garante que quatro exigências foram cumpridas: o país tem um novo certificado para a carne exportada para a UE, eletrônico e impresso em papel da Casa da Moeda para evitar falsificações; aprovou uma nova legislação sobre focos e controle da febre aftosa; dispõe de um sistema capaz de diagnosticar a doença em até uma semana; e melhorou o controle do trânsito de animais. O item mais complicado diz respeito ao sistema de rastreamento, que assegura que a carne enviada à Europa é proveniente de gado criado em zonas livres de febre aftosa e não em áreas banidas (Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná).

Bruxelas quer que o rastreamento alcance 40 milhões de cabeças de gado, mas até meados de outubro apenas 10 milhões eram submetidas ao controle. Entretanto, o ministro de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, diz confiar que isso não será um problema.
“O sistema já abrange atualmente uma quantidade de gado superior à necessária para atender às importações européias por muito tempo”, defende.

Stephanes também admite que a implementação de testes para verificar possíveis deficiências na vacinação do gado -outra exigência de Bruxelas- só poderá ser concluída em dezembro, “já que é preciso que o gado esteja vacinado e a data da vacinação é no mês de novembro”.

Ainda assim, o Ministério da Agricultura e a Missão do Brasil para a UE acham que o parecer da FVO será favorável.
“O Brasil segue todos os mais altos padrões fitossanitários internacionais. A União Européia tem alguns requisitos exclusivos, que exigem uma adaptação por parte do Brasil”, afirmou Stephanes.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar