Uma missão do De-partamento de Alimentação e Ve-terinária da União Européia (FVO, na sigla em inglês), órgão responsável pelo controle sanitário no bloco, está no Brasil até o próximo dia 19 para verificar se o país cumpriu com as exigências européias de controle da carne exportada para a Europa.
A equipe, composta por nove técnicos e veterinários, deve visitar fazendas, abate-douros e centros de certificação brasileiros, e inspecionar toda a cadeia produtiva da carne, “do pasto que o gado come ao produto final que embarca para a Europa”, explicou à BBC Brasil Otávio Briones, responsável por Agricultura na Missão do Brasil para a UE.
Em março, os especialistas da FVO detectaram deficiências em alguns procedimentos desse sistema, exigindo que fossem corrigidas até o fim deste ano, sob pena de a Comissão Européia, o braço Executivo da UE, tomar medidas restritivas à venda da carne brasileira. Desde então, o produto vem sendo alvo de uma forte campanha movida por deputados e associações de produtores de gado europeus -principalmente britânicos e irlandeses-, que pedem o embargo total das importações até que o Brasil siga o padrão imposto por Bruxelas.
Os técnicos verificarão se o governo implementou me-lhorias em seis pontos: sistema de rastreamento do gado, controle do trânsito de animais, vacinação, certificação, legislação sobre focos e controle da febre aftosa, e diagnóstico de doenças.
O governo brasileiro garante que quatro exigências foram cumpridas: o país tem um novo certificado para a carne exportada para a UE, eletrônico e impresso em papel da Casa da Moeda para evitar falsificações; aprovou uma nova legislação sobre focos e controle da febre aftosa; dispõe de um sistema capaz de diagnosticar a doença em até uma semana; e melhorou o controle do trânsito de animais. O item mais complicado diz respeito ao sistema de rastreamento, que assegura que a carne enviada à Europa é proveniente de gado criado em zonas livres de febre aftosa e não em áreas banidas (Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná).
Bruxelas quer que o rastreamento alcance 40 milhões de cabeças de gado, mas até meados de outubro apenas 10 milhões eram submetidas ao controle. Entretanto, o ministro de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, diz confiar que isso não será um problema.
“O sistema já abrange atualmente uma quantidade de gado superior à necessária para atender às importações européias por muito tempo”, defende.
Stephanes também admite que a implementação de testes para verificar possíveis deficiências na vacinação do gado -outra exigência de Bruxelas- só poderá ser concluída em dezembro, “já que é preciso que o gado esteja vacinado e a data da vacinação é no mês de novembro”.
Ainda assim, o Ministério da Agricultura e a Missão do Brasil para a UE acham que o parecer da FVO será favorável.
“O Brasil segue todos os mais altos padrões fitossanitários internacionais. A União Européia tem alguns requisitos exclusivos, que exigem uma adaptação por parte do Brasil”, afirmou Stephanes.






