As Copas através dos selos

Em: 11 de junho de 2014
Exposição do colecionador Jorge Bargas está em cartaz no prédio dos Correios
Exposição do colecionador Jorge Bargas está em cartaz no prédio dos Correios

Quem quiser conhecer a história das Copas do Mundo através dos selos (entre outras peças como postais, envelopes e máximos postais), desde a primeira, em 1930, no Uruguai, até a atual, no Brasil, pode fazer uma visita à exposição do colecionador Jorge Bargas, na Agência Filatélica Ajuricaba, no prédio dos Correios, na praça do Congresso.
Jorge Bargas é o atual presidente do Clube Filatélico do Amazonas e conhecido entre os filatelistas pelas exposições temáticas que sempre realiza. “Comecei a colecionar selos ainda na adolescência, na década de 1960, porque naquela época era um hobby comum entre os jovens. Na década seguinte, estudando na então Escola Técnica Federal do Amazonas, hoje IFAM, e jogando bola, comecei a colecionar selos especificamente sobre esportes. Sobre as Copas do mundo ainda demoraria mais algum tempo”, contou.
Somente em 1982, quando a Copa aconteceu na Espanha, Bargas deu início à sua coleção sobre o evento. “Aí não parei mais. A cada Copa, adquiria tudo o que era lançado além dos selos, blocos, envelopes, postais, e comecei a querer adquirir o que havia sido lançado nas Copas passadas”, contou.
Como em Manaus tal material não era encontrado, nem com colecionadores mais antigos, Bargas entrou em contato com as casas filatélicas do Rio de Janeiro e de São Paulo, especializadas em vender materiais para colecionadores, e aos poucos foi conseguindo as peças, além de descobrir algumas curiosidades sobre as emissões como, por exemplo, nas copas de 1930, 34 e 38 os Correios do Brasil não emitiram nada. As primeiras emissões brasileiras se dão exatamente quando a Copa aconteceu aqui, em 1950. São três selos, ainda com impressão bem simples.
Um mostra o globo terrestre cercado por jogadores (Cr$ 0,60), outro o estádio do Maracanã, construído e inaugurado naquele ano exatamente para o evento (Cr$ 1,20), e o terceiro destaca um jogador com a bandeira do Brasil ao fundo (Cr$ 5,80).

Coleção única em Manaus
Em 1954, possivelmente porque o Brasil tivesse perdido a final da Copa anterior, de maneira vergonhosa, em casa, não foi emitido selo algum sobre o evento, o que voltaria a acontecer na Copa seguinte, quando o Brasil conquistou seu primeiro título, porém, foi lançado apenas um selo (Cr$ 3,30), somente em janeiro de 1959 e ainda por cima nas cores verde e vermelho. Em 1962, o país ganhou o bicampeonato do mundo e novamente apenas um selo, na cor verde sobre fundo branco (Cr$ 10,00) marcou a importante conquista.
Em 1966, dando a entender que a Copa do Mundo não era um evento importante para os Correios, novamente nenhuma emissão de selo sobre o assunto, o que aconteceria na Copa seguinte, em 1970, quando o país foi tricampeão e os selos só foram lançados após a conquista. Três selos, de Cr$ 1, 2, e 3,00 relembram as conquistas anteriores, na Suécia e no Chile, além da do México, e um quarto selo (Cr$ 0,50) mostra a taça Jules Rimet, conquistada definitivamente.
A partir de 1974 foi quando o evento começou a ter um destaque maior para os Correios, pois as emissões passaram a acontecer antes do evento, um selo (Cr$ 0,40) e pela primeira vez um bloco (Cr$ 2,50). Nas Copas seguintes, as emissões continuaram regularmente, mas em 1994, no tetra, e em 2002, no penta, além de as emissões terem acontecido antes da Copa, após a conquista dos títulos, foram emitidos blocos postais comemorando o feito brasileiro.
Nesta Copa de 2014, as emissões superaram em muito todas as outras. Cada uma das 12 cidades-sede ganhou um selo exclusivo, também foi lançado um bloco, cinco postais sobre cada uma das regiões brasileiras e mais 12 selos com as imagens desses cinco postais e outras sete imagens das cidades sede.
“Tenho orgulho de dizer que, em Manaus, ninguém tem uma coleção como essa, abrangendo não só os selos emitidos pelos Correios brasileiros, mas também outras peças, como blocos, envelopes e máximos postais, montados por mim e por algum colecionador que um dia foi o dono dessas peças hoje raras”, disse Bargas.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar