O calor amazônico é conhecido mundialmente. A floresta é impiedosa. De dia o seu interior é muito quente e à noite, muito frio. Não pela floresta, mas pela aproximação com a linha do Equador, as cidades que surgiram junto às matas também são muito quentes. O que a floresta contribui com esse calor é não permitir que os ventos circulem com facilidade, ampliando a quentura e a umidade, pois funciona como uma gigantesca esponja das águas pluviais. Nada, porém, que um ser humano normal não possa suportar.
Depois de Roy Hodgson, técnico da seleção inglesa, mais um técnico candidata sua seleção a ser vaiada pela torcida manauara durante jogo na Arena da Amazônia. Ottmar Hitzfeld, técnico da seleção suíça, também falou mal do calor de Manaus. Ottmar disse que foi uma atitude “quase irresponsável” escolher a capital amazonense “no meio da selva” como uma das sedes da Copa do Mundo, por causa do calor que faz na cidade. Curiosamente Hodgson também reclamou do mesmo calor, mas perdeu seu segundo jogo na ‘fria’ São Paulo. O amazonense sempre foi conhecido como um povo hospitaleiro, que recebe bem as pessoas de qualquer credo ou raça, mas não perdoa quem fala mal das suas cidades e de seu povo. A Inglaterra foi permanentemente vaiada quando jogou com a Itália, mas o inglês que ficou nu em plena arquibancada da Arena da Amazônia não foi hostilizado e acabou virando motivo de gozação. A Suíça joga com Honduras na próxima quarta-feira (25), em Manaus.
Já nos Estados Unidos quem faz medo para os jogadores é a imprensa (os americanos jogam neste domingo com Portugal, em Manaus) e, repetindo o que ouve, publicou “ter sido ridícula a ideia de se escolher Manaus como sede da Copa”. Acostumados com o terrorismo, fazem terror aos seus próprios jogadores. “Os americanos irão viajar agora para o ambiente mais extremo da Copa do Mundo”, escreveu o jornalista Dan Wetzel. Já o repórter Nicholas Mendola lembrou que Cláudio Marchisio, autor do primeiro gol italiano contra a Inglaterra, disse ter tido alucinações por causa da temperatura amazônica, muito embora a própria Fifa tenha dito que a temperatura durante o jogo entre Inglaterra e Itália não tenha passado de 27 graus e as paradas técnicas não foram necessárias porque só são aconselhadas após os 32.
O estádio mais bonito
Enquanto técnicos e imprensa estrangeiros temem o calor, a Fifa escolheu Manaus como a cidade-sede com o melhor desempenho no Brasil nos dois primeiros jogos realizados até agora.
Os principais itens avaliados foram segurança, atendimento na área da saúde e aos turistas. Também foi elogiado o trabalho prestado pelos jovens voluntários que atuam nos eventos da Copa, tanto na Arena da Amazônia quanto na Fan Fest. “A Fifa afirmou que, na avaliação feita até agora, a cidade de Manaus foi a que melhor se apresentou sob todos os aspectos. Ainda segundo eles, temos o estádio mais bonito dessa Copa”, comemorou o governador José Melo.
Em todos os acessos da Arena, cerca de 300 voluntários prestam informações e dão boas vindas aos torcedores, que chegam de várias zonas da cidade. As equipes cobrem todas as ruas e principais pontos de chegada de torcedores no entorno da Arena. “Desde a primeira aproximação do estádio, os espectadores já são orientados a manter o ingresso em mãos e se direcionarem ao portão correto”, explicou Ozeneide Casanova, coordenadora do Brasil Voluntário.
No restante da cidade, a população se encarrega de receber bem os turistas torcedores e estes retribuem, enchendo os bares do centro e reduzindo os estoques de bebidas. Para os próximos jogos a Amazonastur informou que deverão vir para Manaus cerca de 35 mil americanos, 2.500 suíços, dois mil portugueses, mil alemães e mil colombianos, além de centenas de visitantes de várias outras nacionalidades.






