Shoppings miram em cidades menores

Em: 30 de junho de 2014
Cidades de médio porte oferecem principais oportunidades de crescimento para empresas
Cidades de médio porte oferecem principais oportunidades de crescimento para empresas

Entre as 55 inaugurações anunciadas para 2014 e 2015, somente 20 se situam em capitais, segundo dados da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers). O Estado de São Paulo receberá a maior parte dos novos negócios: 16, dos quais três na capital. A região Sudeste lidera a oferta de espaços para lojas em relação à população, com 89 m² de ABL (Área Bruta Locável) por mil habitantes, seguida do Centro-Oeste (72 m²) e do Sul (63 m²). Municípios de cerca de 200 mil habitantes com população de alto poder aquisitivo são os principais alvos dos investidores.
“O bom desempenho do agronegócio acaba atraindo vários segmentos da economia para as cidades do interior, inclusive o de comércio varejista, pois essas cidades têm melhores perspectivas de crescimento no longo prazo”, comenta o consultor Felipe Laufer, da Fesa.
Há reflexos expressivos nos mercados de trabalho locais, assinala o diretor da ASAP Recruiters, Diego Godoy. Mas nem sempre é fácil contratar quadros de alta gerência: “Já tivemos que buscar gente de bancos, hospitais, universidades e empresas de segurança privada”. Ele ressalta que esse mercado de trabalho está se consolidando, pela promoção de profissionais que já estão na área.
No Estado de São Paulo, até o final de 2015 serão inaugurados novos shopping centers nos municípios de Porto Feliz, São Roque, Taboão da Serra, Araçatuba, Guarulhos, Piracicaba, Cajamar, Votuporanga, Ribeirão Preto, Atibaia, Jundiaí, Bragança Paulista, Itaquaquecetuba e na capital. Também no Sudeste, novos Centros vão abrir as portas em Itaboraí (RJ) e na capital fluminense; em Vila Velha (ES), Araxá, Varginha, Uberlândia e Uberaba (MG). No Sul, serão inaugurados shoppings em Rio Grande (RS), Cascavel (PR), Lages e Criciúma (SC). A região Centro-Oeste tem inaugurações previstas para este ano e o próximo em Várzea Grande (MT), Goiânia, Campo Grande, Cuiabá, Três Lagoas (MS) e Rio Verde (GO). No Nordeste serão abertos shoppings em São Luís, Açailândia e São José de Ribamar (MA); Fortaleza (três empreendimentos) e Juazeiro do Norte (CE); Paulista e Petrolina (PE); Teixeira de Freitas (BA), João Pessoa, Teresina e Aracaju. Para a região Norte, foram anunciadas duas inaugurações na capital de Roraima, Boa Vista; e também em Belém, Ananindeua, Castanhal e Paragominas (PA), e em Manaus.”Em 2011, captamos um fundo de R$ 1,06 bilhão para construir 32 empreendimentos no país”, diz o presidente da Tenco Shopping Centers, Eduardo Gribel. “Até 2017, nossa previsão é ter entre 20 e 22 novos shoppings operando e entre oito a dez em construção.” Ele conta que há sete anos o grupo resolveu focar no nicho dos municípios médios -em torno de 200 mil habitantes -com alta renda e que ainda não têm comércio organizado: “Para nós o que influencia na escolha da cidade é a renda qualificada acima de R$ 300 milhões por ano”.
Na região Sul, vários municípios têm se mostrado promissores. Em outubro, a Tenco inaugura o Lages Garden Shopping, com 21 mil m² de ABL à margem da rodovia BR-282, no setor leste do município catarinense.
Outra obra da empresa que utiliza o mesmo modelo de construção é o Guarapuava Garden Shopping, no Paraná. Com ABL de 22,6 mil m² e previsão de inauguração no final de 2015, o Centro de Compras terá capacidade para 170 lojas. No primeiro semestre de 2016 será inaugurado também um Garden Shopping na cidade gaúcha de Viamão. “Estamos em fase adiantada de aprovação de projeto de outros dois shoppings em cidades do Rio Grande do Sul e um no interior do Paraná”, antecipa.
Em Curitiba, está em construção o Jockey Plaza, com 62 mil m² de ABL. Orçado em R$ 400 milhões e com inauguração prevista para novembro de 2017, o empreendimento dos grupos Paysage, Tacla e Casteval será o maior Shopping Center do Sul do Brasil. Estão avançadas as obras do Palladium Foz do Iguaçu, obra de R$ 150 milhões na avenida das Cataratas que deve abrir em outubro de 2015. O grupo Catuaí também pretende inaugurar até o fim do próximo ano um shopping com 215 lojas no município. Outro empreendimento do Paysage no interior paranaense é o Umuarama Shopping, em obras desde o início do ano.
Em Criciúma (SC), iniciaram este mês as obras de terraplenagem para construção do Nações Shopping, do grupo Almeida Júnior. O centro de compras terá 33 mil m² de ABL e tem previsão de inauguração em março de 2016. O planejamento do projeto inclui a construção de torres comerciais para hotelaria e residências. “É uma tendência a construção de empreendimentos multiuso, para moradia, serviços, varejo e entretenimento”, diz o responsável pelo projeto, Manoel Dória, da Dória Lopes Fiúza Arquitetos Associados.
Há também em andamento várias ampliações de centros de comércio já existentes. É o caso do Balneário Shopping, da Almeida Júnior, em operação há seis anos em Balneário Camboriú, no litoral catarinense. Sua ABL passará de 25 mil m² para 42 mil m² com a construção de um segundo piso. Orçada em R$ 150 milhões, a obra será inaugurada em novembro deste ano. Outros R$ 120 milhões serão investidos na construção de duas torres anexas – um hotel e um prédio de escritórios – que devem ficar prontas em 2017.
O conceito de multiuso também faz parte do projeto de ampliação do Complexo Marco Zero, em Londrina (PR). No local de fundação da cidade, onde havia uma indústria abandonada, foi inaugurado há um ano o Londrina Shopping, com 47,8 mil m². O empreendimento da Sonae Sierra Brasil em parceria com o Grupo Marco Zero prevê a construção de 14 torres residenciais e duas comerciais, bem como de um teatro com duas salas de 1.200 lugares cada, que será inaugurado no segundo semestre de 2015.
“Teremos um impacto muito grande sobre uma região da cidade que antes era degradada”, diz o diretor da RF Negócios Imobiliários, Raul Fulgêncio. Atualmente o complexo gera quase 2 mil empregos diretos e esse número deve chegar a 3 mil até o final de 2015.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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